Desgaste de Olívio faz crescer nome de Tarso
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sábado, 07 de julho de 2001
Sérgio Gobetti Agência EstadoDe Porto Alegre 
As pesquisas sobre o desempenho das administrações estaduais e municipais e a sucessão de 2002 impulsionaram o projeto do prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT), de disputar o governo gaúcho no próximo ano. Enquanto o governador Olívio Dutra (PT), virtual candidato à reeleição, desfruta uma posição desfavorável nos levantamentos, Tarso é um dos prefeitos melhor avaliados e lidera a preferência dos gaúchos ao lado do ex-governador Antônio Britto (PMDB). Publicamente, o prefeito desconversa sempre que o assunto é a eleição de 2002, tentando disfarçar seu desejo de concorrer a governador. Tratar desse assunto agora pode precipitar uma disputa e atrapalhar o governo, diz.
O prefeito também evita comentários mais elaborados sobre o desempenho da administração estadual. Acho que Olívio está fazendo um bom governo, mas as demandas públicas que não podem ser atendidas geram algumas frustrações, diz, encerrando a conversa.
Além da preocupação com a governabilidade de seu correligionário, Tarso também sabe que precisa de uma aliança interna capaz de lhe dar maioria entre os petistas. Em 1998, ele disputou uma prévia contra Olívio e foi derrotado. Saiu magoado e se recusou a ocupar a vaga de vice e a disputar o Senado. Agora tenta atrair as correntes que anteriormente apoiaram Olívio. No ano passado, ele conseguiu formar uma ampla aliança que lhe rendeu uma vitória contra o ex-prefeito Raul Pont, apoiado pelo governador.
Os líderes petistas reconhecem que a revanche entre Olívio e Tarso está cada vez mais próxima de ocorrer, mas querem evitar que o partido saia dividido. Poucos partidos têm essa possibilidade de escolher entre dois nomes dessa expressão, afirma o secretário-geral do PT, Paulo Ferreira, aliado interno do prefeito. Mas decidir em uma prévia é ruim, pois se trata de duas grandes figuras. Nesse ponto, entretanto, o próprio Tarso abandona a cautela: A prévia sempre é boa para o partido. Para os aliados, trata-se de um perfil pessoal. Para os adversários, é marketing. Olívio mantém um estilo peculiar, que mescla o linguajar gaúcho com características de caudilho sindical.


