Leandro Donatti
A desfiliação do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida desencadeou uma crise política na cúpula do PT. A executiva estadual reúne-se hoje à tarde em Curitiba para analisar o desligamento anunciado de surpresa pelo ex-prefeito. Um grupo liderado pelo deputado estadual Ângelo Vanhoni defende uma mobilização para que Cheida fique. O ex-deputado federal Nedson Micheleti discorda do ponto de vista dessa corrente. Ele comparece no encontro de hoje com a disposição de inviabilizar os planos do grupo de Vanhoni.
Ângelo Vanhoni acha que a saída de Cheida traz ‘‘prejuízos irreparáveis’’ para o partido. Micheleti acha que a sua permanência tornou-se insustentável. ‘‘O PT precisa se unir para impedir que esse desligamento se consuma’’, pregou Vanhoni. O deputado vai propor na reunião de hoje que a executiva estadual solicite a interferência do comando nacional nesse processo de convencimento. A reunião está prevista para às 14 horas, na Assembléia Legislativa. ‘‘O José Dirceu e o Lula podem ajudar. Assim como o deslocamento de lideranças do PT a Londrina’’, avaliou Vanhoni.
O deputado concorda com as críticas formuladas por Cheida para embasar o abandono da sigla depois de 17 anos de filiação. O ex-prefeito de Londrina reclamou anteontem de intrigas internas e da inflexibilidade do diretório municipal em abrir o leque de alianças do partido para as eleições do ano que vem. Vanhoni não quis entrar no mérito da proposta de Cheida, que defendeu a formação de uma frente de centro-esquerda, com abertura inclusive de espaço para o PSDB do senador Álvaro Dias. O que se tentou nas eleições passadas.
Micheleti manifestou ontem seu repúdio a qualquer aproximação com o PSDB. ‘‘Não faz sentido o PT se unir com o partido do presidente Fernando Henrique Cardoso. O diretório de Londrina tem uma posição fechada com relação a esse assunto. O PT só coliga com o PDT e com o PMDB, partidos da aliança firmada em 98’’, observou. De olho na sucessão municipal (leia nesta página), Micheleti disse ontem ser contra qualquer manifestação de apoio do PT à permanência de Cheida. ‘‘Não cabe o apelo, porque o que está em jogo não é uma questão pessoal, mas uma divergência política’’, classificou.
Companheiros de partido em outras épocas, Micheleti deixou claro que as relações políticas com o ex-prefeito de Londrina não são mais as mesmas. ‘‘Relações pessoais excelentes, mas concepções políticas bastante divergentes’’, declarou. Micheleti disse ainda que o desligamento de Cheida já era esperado e que não passou de um ‘‘desdobramento das eleições passadas’’. Micheleti afirmou que o ex-prefeito ficou magoado com o PT por conta do veto ao PSDB no processo de discussão de alianças. Na época, Cheida desistiu de ser candidato ao governo para concorrer a uma vaga na Câmara Federal.
Para Micheleti, unir-se com o PSDB é o mesmo que abrir mão de candidatura própria em Londrina. ‘‘Ficaremos a reboque. No PSDB o nome do deputado Luiz Carlos Hauly’’, ponderou. ‘‘Fazer um apelo para que ele fique no PT seria o mesmo que dizer: venha Cheida que estamos concordando com a sua tese’’, completou Micheleti.

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