O desfile cívico da Independência em Londrina ganhou ontem conotações eleitorais e de protesto. A preocupação do Executivo municipal com a anunciada manifestação dos servidores públicos municipais, em greve há 32 dias, foi demonstrada na abertura da solenidade. No hasteamento da bandeira ao som do Hino Nacional, somente a secretária da Educação, Carmen Sposti, estava no palanque montado na Avenida Leste-Oeste. As bandeiras, tradicionalmente hasteadas pelo prefeito e outras autoridades, subiram os mastros pelas mãos de membros do Tiro de Guerra.
''O prefeito (Nedson Micheleti-PT) não veio pelo simples fato que tínhamos a informação de que haveria uma manifestação dos servidores e a presença dele poderia causar um tumulto ou colocar em risco as pessoas que estão aqui. Então, em respeito aos cidadãos londrinenses, ele não se fez presente'', justificou a secretária. Este é o segundo ano consecutivo que Nedson não participa do desfile de Sete de Setembro. Cerca de uma hora depois de iniciado o desfile, compareceram o presidente da Câmara de Vereadores, Orlando Bonilha (PL), a secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizoti, e a secretária do Idoso, Cristina Coelho.
A prometida manifestação dos servidores tomou conta da avenida ao final da participação das entidades sociais, antes do desfile dos veículos antigos. ''Abriram um espaço e nós entramos'', disse o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv), Marcelo Urbaneja. Segundo ele, cerca de 300 trabalhadores participaram da manifestação.
Usando narizes de palhaço, apitos e segurando faixas, os manifestantes chegaram a constranger o cerimonial do evento ao aparecerem como parte do desfile. Por alguns minutos, prevaleceu o silêncio, que ressaltou os gritos de protesto: ''Servidor na rua, prefeito a culpa é sua''. As frases de protesto foram abafados pela Banda dos Músicos de Londrina, colocada ao lado do palanque, que começou a tocar após ordem do cerimonial.
''Acho que o prefeito não participa da cidade de Londrina. Não é por causa do protesto. Se ele fosse uma pessoa democrática, ele com certeza estaria aqui, iríamos entregar a ele pessoalmente a nossa proposta para pôr fim à paralisação, mas a cidade como estamos denunciando há muito tempo, está à deriva, sem comando'', espetou Urbaneja.
Os manifestantes ainda carregavam nos ombros um boneco representando o prefeito vestido de rei. ''Trouxemos o boneco para que as pessoas se lembrem que a cidade tem prefeito'', ironizou o sindicalista.
Na avaliação da secretária da Educação, a manifestação dos servidores não atrapalhou o desfile. ''Foi uma manifestação pacífica, vivemos em uma democracia e não atrapalhou o brilhantismo dessa apresentação, dessa solenidade.''
A campanha política também se fez presente no desfile. Em meio às mais de 30 mil pessoas - conforme a Polícia Militar - dezenas de cabos eleitorais seguravam faixas e distribuíam santinhos de candidatos às eleições de 1º de outubro. (Leia sobre o desfile cívico na página 7)

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