Arquivo FolhaDesempregoFernando Henrique: para CNI desempenho do presidente na eleição dependerá da situação da economiaA Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais importante entidade empresarial do País, trabalha com um novo cenário político para as eleições presidenciais de 1998. Na avaliação do presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), ‘‘o desemprego será o principal problema político do governo e pode repercutir na reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso’’. ‘‘O desemprego é um problema político grave porque o governo não tem resposta imediata para ele’’, disse o presidente da CNI. ‘‘Nem o governo, nem a oposição, nem ninguém.’
Bezerra acredita que, tanto o empresariado como o PMDB não têm opção melhor que o apoio à reeleição, mas observa que o quadro pode mudar se a economia não der sinais de recuperação a partir do segundo semestre.
Bezerra prevê um primeiro trimestre difícil para a retomada de investimentos, pois, naquele período, a economia ainda estará sob o impacto das medidas de ajuste fiscal, que repercutem de maneira negativa sobre o índice de empregos e, consequentemente, sobre a disposição do eleitorado.
‘‘Você não consegue pedir a um sujeito que perdeu o emprego ou a um empresário quebrado que considere a situação natural e compreenda os fatos, como consequência do processo de globalização e da abertura econômica’’, disse Bezerra, em almoço com jornalistas, na sede da CNI. ‘‘Teremos um início de ano ruim, mas a situação política pode melhorar se houver alguma recuperação no segundo semestre.’ Nesse caso, avalia Bezerra, ‘‘as pessoas devem esquecer as dificuldades pelas quais vão passar nos próximos meses’’.
Ele reconheceu que o futuro político e eleitoral do governo está vinculado à velocidade com que for alcançada a meta de reduzir as taxas de juros ao patamar anterior à crise das bolsas asiáticas. ‘‘Se demorar muito a cair, ninguém vai suportar’’, previu. Há também uma relação direta entre a queda dos juros e o combate ao desemprego, pois juros altos atraem capitais para o setor especulativo e diminuem a capacidade de investimento do governo.
O ministro do Trabalho, Paulo Paiva, disse, também ontem que a pequena queda na taxa básica, a ser definida hoje pelo Banco Central (BC), ‘‘é a única inciativa imediata que o governo pode tomar nessa direção, além dos projetos de longo prazo’’. Tanto Paiva como Bezerra reconhecem, no entanto, que a política de redução gradual dos juros está sujeita a fatores internos e externos fora do controle do governo.
Numa avaliação puramente política, Bezerra defendeu o apoio puro e simples do PMDB à reeleição. ‘‘Não vejo opções com viabilidade nem dentro nem fora do partido’’, afirmou.

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