O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem ao líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), que pretende fazer da luta contra o desemprego uma prioridade de governo em 1998. ‘‘A ênfase, daqui para a frente, será para a geração de empregos’’, relatou Inocêncio (foto), depois de conversar com o presidente, no Palácio do Planalto. O desemprego está sendo apontado como principal problema político do governo no ano eleitoral por muitos dos aliados.
O líder defendeu a aprovação pelo Congresso, durante o período de convocação extraordinária, do projeto que estabelece os contratos temporários de trabalho. O projeto contém uma das propostas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) para o combate ao desemprego, a criação de um banco de horas, mecanismo que tem proporcionado vários acordos entre sindicatos e empresas em dificuldades. É a única iniciativa legislativa na área trabalhista com aval do governo, de acordo com o ministro do Trabalho, Paulo Paiva.
Inocêncio disse ter sugerido ao presidente a adoção de um amplo programa de construção de casas populares, como um incentivo adicional à criação de novos postos de trabalho. ‘‘Ficamos de conversar sobre o assunto em janeiro’’, adiantou Inocêncio, que também pretende levar a Fernando Henrique propostas de estímulo às microempresas, à agricultura familiar e ao turismo. O apoio a setores da economia com mais capacidade de gerar renda e emprego é uma das políticas de Fernando Henrique.
O líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), afirmou que somente a aprovação das reformas constitucionais permitirá a retomada da criação de empregos. ‘‘Com as reformas aprovadas, será possível reduzir as taxas de juros, cujo aumento está provocando o crescimento do desemprego’’, avaliou. O líder evitou, no entanto, assumir compromissos em relação a uma data final para a aprovação das propostas de reformas administrativa e previdenciária, que serão analisadas durante o período de convocação extraordinária do Congresso.
Ele informou apenas que é intenção da base governista aprovar em primeiro turno na Câmara, até o fim da convocação, a emenda constitucional da reforma previdenciária. ‘‘Este é o nosso objetivo, mas não podemos garantir que a aprovação aconteça’’, admitiu. De acordo com o líder, podem ocorrer problemas de quórum às segundas e sextas-feiras, durante a convocação. Com isso, os prazos regimentais de tramitação das reformas acabariam por se ampliar, levando a um atraso na votação das propostas em plenário. ‘‘Não quero criar expectativas que não posso cumprir’’, afirmou Magalhães.

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