Mesmo com as denúncias envolvendo o Executivo, no outro lado da praça do Centro Cívico, a Câmara permaneceu apática, analisaram os professores Clodomiro Banwart e Elve Cenci. O estado de letargia somente foi rompido com a prisão do ex-secretário de Gestão Pública Marco Cito e do chefe de cozinha Ludovico Bonato, flagrados em 24 de abril entregando R$ 20 mil para o vereador Amauri Cardoso (PSDB).
O dinheiro seria parte de suborno para o tucano votar contra a abertura da Comissão Processante da Centronic, que poderia cassar - e de fato acabou cassando - o mandato de Barbosa. Amauri negociou com os dois equipado com escutas fornecidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Um dia depois da prisão, o Legislativo instaurou a CP. Mais aliados foram presos, incluindo o vereador Eloir Valença (PHS).
''A renovação nas eleições demonstrou que os eleitores não estavam ''tão felizes assim'' com o desempenho da Câmara. Havia denúncias mais graves, como o caso da saúde, e os vereadores arquivaram. E acredito que somente houve a cassação no caso da Centronic por causa do período eleitoral'', disse Elve. ''Os vereadores sempre foram a reboque do Ministério Público.''
Banwart também citou a omissão do Legislativo quanto aos desvios na saúde descobertos pelo Ministério Público por meio da operação Antissepsia em 2011 e apontou a dificuldade de fiscalização pelos vereadores. ''O sistema de barganhas entre Executivo e Legislativo cria um balcão de negócios no Centro Cívico e não há fiscalização alguma. Esta é a causa das crises cíclicas - ora no Legislativo ora no Executivo'', concluiu Banwart. (L.C.)

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