A greve dos servidores de Londrina, o desempenho pífio dos vereadores na eleição de domingo - dos quatro que saíram candidatos, ninguém se elegeu - e a aparente inércia da administração para resolver a questão salarial do funcionalismo renderam ontem uma onda de críticas contra o prefeito Nedson Micheleti (PT) na Câmara de Vereadores. O curioso é que as alfinetadas partiram justamente de partidários e aliados que, até recentemente, engrossavam a base que o petista detinha no legislativo municipal. Além das reclamações, vieram também ameaças de rever o posicionamento em relação a projetos do Executivo.
O tom das críticas se acentuou sobretudo ante um possível reflexo que a crise entre Prefeitura e funcionalismo possa ter trazido às campanhas dos vereadores Jamil Janene (PL), Glaúdio Lima (PT), Tercílio Turini (PPS) e Paulo Arildo (PPS), não eleitos. Até a campanha de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado foi lembrada: com vitória garantida em várias regiões do Estado - sobretudo em Curitiba -, ela perdeu em Londrina para o tucano Álvaro Dias.
O presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), afirmou que a aparente inércia do prefeito para negociar o fim da greve prejudicou a representatividade de Londrina em Curitiba. Na campanha de 2002, os então vereadores André Vargas (PT) e Elza Correia (PMDB) conquistaram vagas no Legislativo Estadual.
''Esse pleito mostrou claramente a insatisfação em relação à administração do prefeito Nedson e a outros desmandos em que ele tem sido inerte'', disse Bonilha, para completar: ''A Câmara tem sido receptiva ao prefeito em tudo, todos os projetos têm sido aprovados, mas não está tendo isso de volta''. Se isso deve comprometer a votação de projetos do Executivo? ''Essa é hoje uma avaliação das lideranças, sim. Em todos os lugares a reclamação sobre a ausência do prefeito é constante, não podemos mais aceitar isso pacificamente''.
Qustionado se está convencido dos argumentos do prefeito em relação à impossibilidade de aumentar despesas com folha de pagamentos, o presidente da Câmara concluiu: ''Estive na apresentação do orçamento, e há algumas perspectivas de gastos que só se tiver um superávit milagroso para contemplá-lo''.
Membro das comissões de Finanças e de Constituição e Justiça, o vereador Sidney de Souza (PTB) também creditou o desempenho de candidatos da Câmara à crise municipal e avisou: não apenas as reuniões dos vereadores sobre a greve serão a partir de agora formalizadas - ''para mostrar que não estamos omissos'' -, como mesmo a votação do orçamento, que deve acontecer até o fim do ano, já pode estar comprometida.
Por meio da assessoria de imprensa, o prefeito informou apenas que a Câmara ''é um poder independente e autônomo, sem qualquer facilidade de tramitação de projetos''. Sobre a questão política, a assessoria resumiu: ''Qualquer discussão nesse sentido é entre os partidos. A greve é que é política''. Indagado então se a paralisação, supostamente política, conseguiu abalar o PT, o assessor preferiu deixar a análise para o sindicato.

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