A Justiça brasileira tem sido colocada, ao lado dos demais poderes - Legislativo e Executivo - na linha de tiro das críticas da população. Principalmente pela lentidão no julgamento dos processos, como também pelo profundo fosso que a mantém distante do cidadão comum, o usuário. Mas como toda regra tem exceção, e para fazer valer um refrão popular, o desembargador José Maria de Melo está provando que ‘‘no Ceará não tem disso, não.’ É diferente.
Há dez meses como presidente do Tribunal de Justiça do Ceará, José Maria de Melo conseguiu sacudir a pesada poeira das togas dos juízes e arejar os plenários dos fóruns, estabelecendo uma relação direta com a população para resolver problemas do dia-a-dia. Uma questão decorrente de acidente de trânsito, que desloca um juiz ao local onde o fato aconteceu e ali mesmo a sentença é proferida. Este é apenas um dos 20 juizados especiais em pleno funcionamento na cidade de Fortaleza.
Como tocador de obras, José Maria de Melo vai inaugurar, no próximo dia 12, o Fórum Clóvis Beviláqua, de Fortaleza, que com seus 70 mil metros quadrados é o maior da América Latina. ‘‘Nada de luxo, nada suntuoso’’, adverte. ‘‘É uma obra dedicada ao cidadão comum, que merece um tratamento de qualidade.’ No interior, José Maria construiu nada menos do que 130 fóruns, todos padronizados, e adquiriu casas próprias para os juízes.
Com isso, acabou com uma antiga prática de troca de favores com políticos locais, que deixava a Justiça sob permanente suspeita. Era comum o juiz deslocado para o interior se tornar inquilino do prefeito, que além de ceder a casa, de quebra ainda pagava as contas de água e luz.
AE - Desembargador, foi difícil promover essa transformação na Justiça do Ceará?
Desembargador José Maria de Melo - Difícil, sim, porque tivemos de romper com uma estrutura inteira. Construir 130 fóruns, em dez meses, em todas as comarcas do interior do Estado do Ceará, não é obra fácil. Precisávamos de recursos e, aliado a isso, para mantermos o equilíbrio entre a Justiça da capital e do interior, tivemos de concluir a construção da nova sede do Fórum Clóvis Beviláqua. Uma obra de 70 mil metros quadrados, sem luxo, mas pronta a proporcionar ao cidadão comum, principalmente aquele que se sente marginalizado.

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