Desembargador sacode Justiça no CE
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domingo, 07 de dezembro de 1997
Agência Estado Fortaleza 
A Justiça brasileira tem sido colocada, ao lado dos demais poderes - Legislativo e Executivo - na linha de tiro das críticas da população. Principalmente pela lentidão no julgamento dos processos, como também pelo profundo fosso que a mantém distante do cidadão comum, o usuário. Mas como toda regra tem exceção, e para fazer valer um refrão popular, o desembargador José Maria de Melo está provando que no Ceará não tem disso, não. É diferente.
Há dez meses como presidente do Tribunal de Justiça do Ceará, José Maria de Melo conseguiu sacudir a pesada poeira das togas dos juízes e arejar os plenários dos fóruns, estabelecendo uma relação direta com a população para resolver problemas do dia-a-dia. Uma questão decorrente de acidente de trânsito, que desloca um juiz ao local onde o fato aconteceu e ali mesmo a sentença é proferida. Este é apenas um dos 20 juizados especiais em pleno funcionamento na cidade de Fortaleza.
Como tocador de obras, José Maria de Melo vai inaugurar, no próximo dia 12, o Fórum Clóvis Beviláqua, de Fortaleza, que com seus 70 mil metros quadrados é o maior da América Latina. Nada de luxo, nada suntuoso, adverte. É uma obra dedicada ao cidadão comum, que merece um tratamento de qualidade. No interior, José Maria construiu nada menos do que 130 fóruns, todos padronizados, e adquiriu casas próprias para os juízes.
Com isso, acabou com uma antiga prática de troca de favores com políticos locais, que deixava a Justiça sob permanente suspeita. Era comum o juiz deslocado para o interior se tornar inquilino do prefeito, que além de ceder a casa, de quebra ainda pagava as contas de água e luz.
AE - Desembargador, foi difícil promover essa transformação na Justiça do Ceará?
Desembargador José Maria de Melo - Difícil, sim, porque tivemos de romper com uma estrutura inteira. Construir 130 fóruns, em dez meses, em todas as comarcas do interior do Estado do Ceará, não é obra fácil. Precisávamos de recursos e, aliado a isso, para mantermos o equilíbrio entre a Justiça da capital e do interior, tivemos de concluir a construção da nova sede do Fórum Clóvis Beviláqua. Uma obra de 70 mil metros quadrados, sem luxo, mas pronta a proporcionar ao cidadão comum, principalmente aquele que se sente marginalizado.


