Curitiba - O desembargador José Maurício Pinto de Almeida, do Tribunal de Justiça do Paraná, negou ontem a liberdade ao ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa (AL) do Estado Abib Miguel, preso na Operação Ectoplasma I, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no último dia 24 para apurar desvio de dinheiro público na AL. A defesa de Abib tinha entrado com um pedido de habeas corpus, que chegou primeiro para a análise da juíza substituta em segundo grau Lilian Romero. No último dia 7, ela pediu novas informações para analisar o habeas corpus, mas, no dia seguinte, ela entrou de férias, e o caso foi parar nas mãos do desembargador Almeida.
O desembargador entende que as declarações da presidente do Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Sindilegis/PR) em exercício, Diva Scaramella Ogibowski, já seriam suficientes para analisar o habeas corpus. Ele escreve em seu despacho que ficou demonstrado, pelas declarações, que pessoas conectadas a Abib tentaram dificultar as investigações, o que seria motivo para autorizar a permanência dele na prisão. Diva entrou com um mandado de segurança na tentativa de evitar o acesso do Ministério Público a dados financeiros dos funcionários do Legislativo. Depois, contudo, ela desistiu do mandado de segurança, alegando ter sido enganada por pessoas ligadas a Abib.
Segundo o desembargador, ''há fortes indícios'' da ''manipulação do Sindilegis/PR por indivíduos conectados a Abib Miguel com o fim de evitar que provas possam incriminá-lo, consistentes em documentos referentes aos servidores da Assembleia Legislativa''.

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