Desembargador do TJ tira Cito da prisão
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
O desembargador José Maurício Pinto de Almeida, da 2 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, concedeu habeas corpus ao ex-secretário de Gestão Pública de Londrina Marco Antonio Cito, que foi liberado ontem à noite da Penitenciária Estadual de Londrina 2 (PEL 2). Cito estava preso desde o último dia 21, por decisão do juiz da 3 Vara Criminal, Katsujo Nakadomari, em razão do envolvimento em uma suposta quadrilha que teria desviado R$ 3,8 milhões dos cofres municipais por meio da compra de uniformes escolares na gestão Barbosa Neto (PDT).
A reportagem não teve acesso à decisão. O desembargador acatou pedido da defesa e decretou segredo de Justiça no habeas corpus. ''Existem algumas interceptações telefônicas no processo e queremos preservar a imagem do nosso cliente'', disse o advogado de Cito, Maurício Carneiro. Almeida já havia indeferido o pedido de prisão do ex-secretário na semana passada, quando mandou para a cadeia o ex-prefeito José Joaquim Ribeiro (sem partido), que viajou para Santa Catarina após confessar ter recebido R$ 150 mil de propina das empresas que forneceram uniformes.
Mas, o Ministério Público (MP), que acusa Cito, Barbosa, o ex-prefeito José Joaquim Ribeiro e mais 16 réus de formação de quadrilha, corrupção, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, insistiu na prisão e o juiz de Londrina entendeu ser necessária a prisão de Cito porque escutas telefônicas revelaram que ele teria discutido eventual fuga com seu advogado. Carneiro e o ex-secretário negam a versão apresentada pelo MP, sustentando que a conversa foi mal interpretada.
''O desembargador entendeu que a prisão foi ilegal acatando nossos argumentos de não havia perigo de fuga. Meu cliente foi preso na casa dele'', disse Carneiro. O advogado acrescentou que Cito ainda não foi intimado para prestar novo depoimento ao MP e não comentou sobre eventual colaboração do ex-secretário com as investigações. ''É uma decisão que ele tem que tomar. Não ponderei essa possibilidade com ele.'' Réus que colaboram com as investigações, apontando fatos novos, podem obter o benefício da delação premiada, como a redução de pena, em caso de condenação.
Cito já ficou preso por mais de dois meses, entre 24 de abril e 3 de julho deste ano, após suposta tentativa de suborno do vereador Amauri Cardoso (PSDB) para que votasse contra a abertura da Comissão Processante da Centronic (que mais tarde resultaria na cassação do mandato de Barbosa). Além de Cito, outros cinco aliados do ex-prefeito respondem processo criminal por este fato.


