A compra de 90 carros para o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, ao custo de R$ 4,5 milhões, não foi bem recebida por parte dos 120 desembargadores. Um grupo - minoritário - consideraria a medida desnecessária. Ontem, depois de receberem um ofício da presidência do TJ pedindo para que fossem designados funcionários dos gabinetes para atuarem como motoristas, magistrados insatisfeitos formalizavam a recusa ao benefício. Os veículos, modelo Fluence, da Renaut, foram adquiridos no fim do ano passado, especificamente para uso dos desembargadores no trajeto entre a casa e o trabalho e começaram a chegar ao TJ na segunda-feira.
De acordo com o desembargador José Maurício Pinto de Almeida, ''é um gasto desnecessário com mordomia, contrário aos interesses da sociedade''. Ele apresentou um ofício à administração do TJ, abrindo mão do carro. A insatisfação também se deve à forma como os integrantes da corte foram informados sobre a compra dos veículos. ''Nós soubemos que teríamos carro por meio de um ofício para designarmos um funcionário do gabinete para atuar como motorista. Não fomos consultados sobre essa compra'', explicou Almeida.
A compra dos carros foi justificada publicamente pelo presidente do TJ, desembargador Miguel Kfouri Neto, como uma forma de garantir mais segurança aos magistrados. Almeida tem entendimento diferente. ''Não entendo que o carro exclusivo, com um funcionário como motorista, possa dar mais segurança. Ele teria que passar por um treinamento.''
Questionado sobre a destinação dos carros, tendo em vista que as entregas já começaram a ser feitas ao TJ, o desembargador afirmou que podem ser utilizados a serviço da própria Justiça Estadual. ''Carros são necessários em vários setores. Podem ser destinados às Varas que têm mais necessidades, como, por exemplo, às Varas da Infância e Juventude. É preciso ter um planejamento maior para sabermos onde gastar'', definiu Almeida.
Além dos gastos com a aquisição dos veículos, pela proposta do presidente da corte, o TJ também vai arcar com a manutenção e com o combustível. A reportagem não conseguiu falar, ontem, com o desembargador Miguel Kfouri Neto.

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