Nelson Francisco
Agência Estado
De Cuiabá
O desembargador Athaíde Monteiro da Silva, de Mato Grosso, foi intimado ontem para depor à CPI do Judiciário no Senado. O requerimento foi aprovado em reunião secreta da comissão. Temendo falta de quórum nas sessões da próxima semana, por causa do feriado de terça-feira, Dia de Nossa Senhora Aparecida, a CPI ainda não definiu oficialmente a data e o horário em que o desembargador, acusado de negociar sentença no Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso, vai depor.
Silva foi acusado de negociar, por meio do empresário Josino Guimarães, o deferimento de uma liminar sobre demarcação de terra por R$ 70 mil. A denúncia foi feita pelos advogados Elarmin Miranda e Marco Aurélio, que apresentou à CPI comprovante do pagamento.
O desembagador – o primeiro dos 16 magistrados denunciados pelo juiz assassinado Leopoldino Marques do Amaral a depor – disse, por meio de assessor que está pronto para atender à convocação da CPI. A Comissão, que se reúne três vezes por semana, deve marcar o depoimento entre os dias 19 e 21.
A CPI prorrogou para 30 de novembro a conclusão dos trabalhos, especialmente para apurar as denúncias feitas por Amaral contra a maioria dos desembargadores de Mato Grosso. Entre as acusações, estão venda de sentenças, nepotismo, assédio sexual e ligação com o narcotráfico. Até agora, a comissão tomou cinco depoimentos.
Miranda e o advogado Lucídio Filho se dizem testemunhas de que Guimarães se declarou assessor de Silva e propôs R$ 100 mil por uma ‘‘decisão judicial’’ do TJ.

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