Em coletiva concedida ontem no Fórum de Londrina, o desembargador Cláudio Baldino Maciel, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), fez duras críticas à Reforma do Judiciário proposta pelo governo federal. ''Tem efeito quase nulo. O que se deveria fazer era uma reforma dos códigos de processo civil'', analisou, comparando a proposta à ideologia do Banco Mundial, ''que defende o capital estrangeiro''.
Maciel veio de Brasília para participar de um painel sobre as Inovações da lei de Falência e do Processo de Execução, destinado aos profissionais da área de Direito. O evento, que dura dois dias, foi aberto ontem por ele com uma palestra sobre a reforma e organizado pela Escola de Magistratura do Paraná. O encerramento será hoje, no auditório da Justiça Federal, com a palestra sobre a nova Lei de Falência, ministrada pelo juiz do Tribunal de Alçada do Paraná, Lauri Caetano da Silva.
Na opinião do desembargador, a proposta de se criar um conselho com representantes dos três poderes, da sociedade e do Ministério Público (MP), feita pela União, sobre o Judiciário, serviria a interesses de fora desse âmbito. ''Creio que por trás da demora do Judiciário (um dos argumnentos para a criação do conselho) estão interesses poderosos, inclusive do mercado de trabalho'', opinou.
Para o presidente da Associação do Magistrados do Paraná (Amapar), juiz Gilberto Ferreira, o que resolveria problemas como a morosidade no julgamento de processos não seria uma reforma, e sim, o auto-investimento.

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