Descontos abrem crise na Assembléia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de setembro de 2002
Maria Duarte<BR>Equipe da Folha 
Curitiba A divulgação da lista com as faltas e respectivos descontos nos salários dos deputados, feita na semana passada pelo presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), e publicada por diversos jornais, abriu uma crise política contra o chefe do Poder Legislativo. Irritados com os descontos no contracheque e com a repercussão negativa junto ao eleitorado, os deputados iniciaram um movimento, na tentativa de minar o ato de Brandão.
Assim como o Departamento Financeiro da Casa, o tucano vem recebendo uma série de reclamações. Deputados faltosos protestam que participaram de mais sessões do que lhes foi atribuído. Ontem, Brandão foi duramente criticado no plenário por sua decisão. O líder do bloco de oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), classificou a iniciativa de ''antiética'' e ''oportunismo político''. Deu a entender que Brandão agiu assim para ganhar visibilidade positiva na mídia. ''Ele (Brandão) quer transformar isso aqui em uma escolinha de senta e levanta'', declarou Pugliesi.
A Folha também foi alvo dos parlamentares descontentes por ter publicado a lista fornecida pelo Departamento Financeiro com a autorização de Brandão. Nelson Tureck (PSDB), que conforme a relação divulgada pela Assembléia apareceu sem salário, usou a tribuna para criticar o jornal. Disse que comparece às sessões e que, como deputado, sempre defendeu a região de Campo Mourão. Tureck, que alega ter feito um empréstimo antecipado de seu salário, disse que a decisão da Assembléia está sendo usada politicamente por adversários.
Brandão não deixou as críticas passarem em branco. Prometeu corrigir possíveis erros e injustiças na lista de presença, mas disse que mantém-se firme no propósito de continuar com os descontos nos próximos meses. ''De hoje em diante, eu mesmo vou fazer o controle das presenças'', anunciou. O controle é feito normalmente pelos funcionários da mesa executiva.
Em meio à tensão, uma frase de Brandão foi interpretada por alguns deputados como uma possível bandeira branca diante da crise. Brandão disse que pode suspender as sessões plenárias, hoje concentradas às segundas e terças-feiras, até as eleições de 6 de outubro.
A medida é o desejo da maioria da Assembléia, que trabalha pela reeleição. ''Se o governo não mandar o projeto criando o plano de carreira dos policiais militares, não tem o que votar'', justificou Brandão, que vai aguardar uma manifestação do Palácio Iguaçu, antes de decidir. O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, disse que o projeto chega hoje à Casa.
Na tarde de ontem, os deputados estaduais derrubaram dois vetos do governador. Outros dois vetos estavam na pauta da sessão extraordinária de ontem, mas não foram analisados porque a sessão caiu.
Se de um lado os deputados arregaçam as mangas para derrubar os vetos do governador, por outro Lerner também veta projetos da Casa. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisou ontem 37 vetos do governador a propostas apresentadas por deputados e que não têm data para irem a plenário. (Colaborou Leandro Donatti)


