O senador paranaense Flávio Arns (PT) deve anunciar hoje a desfiliação do partido pelo qual se elegeu, em 2002, e no qual está desde 2001, quando deixou o PSDB. A decisão, contudo, depende da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), também hoje, sobre as novas regras para a fidelidade partidária.
De acordo com o senador, a possibilidade de deixar a sigla não é recente: viria desde 2003, quando discordou de atitudes do então ministro-chefe da Casa Civil, o deputado cassado José Dirceu. Mês passado, porém, o desconforto ficou mais evidente nas duras críticas feitas pelo senador ante a conduta dos colegas de partido na tentativa - bem-sucedida - de absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). À época, Arns chegara a afirmar que a atitude do partido era ''um exemplo ruim para a sociedade''.
Em entrevista à FOLHA, ontem, o senador admitiu que o episódio o ajudou na decisão de sair do PT, mas lembrou que o fator decisivo foi a condução da votação da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) no que tange à área de direitos sociais de adolescentes e crianças em situação de risco, idosos e portadores de necessidades especiais - à qual o petista é ligado.
''Aprovaram a LDO de uma forma que faz milhares de exigências a esses setores; algo que historicamente nunca se viu. É uma mentalidade estatizante e que foge completamente ao diálogo com a sociedade e com as bases, aquilo que o PT sempre apregoou'', disse. ''É uma desilusão que vem de mais tempo, com sérios desentendimentos diante com a conduta do (José) Dirceu, mas que se acentuou agora com essa falta de sintonia da lideranças do PT: elas puseram em segundo plano bandeiras que assumiram quando chegaram ao poder. Basta chegar ao poder, não?'', ironizou.
O senador afirmou que recebeu ofertas ''de praticamente todos os partidos'', de oposição e situação, mas garantiu que, se consumada a saída do PT, só anunciará a nova legenda depois do prazo final de filiação partidária - 5 de outubro - às eleições de 2008. ''É para evitar especulação eleitoral, pois não sou pré-candidato para o ano que vem'', justificou.
Arns conversaria nos próximos dias, sobre o assunto, com o presidente estadual do PT, deputado federal André Vargas. O parlamentar, no entanto, declarou que o posicionamento do colega não surpreende. ''Era esperado e era natural''. ''O senador, bastante independente, já saiu do PSDB (onde Arns era deputado federal) por dificuldade de comportamemnto, pois votava com o PT, às vezes. O PT melhora a vida dos pobres, não é isso o que ele fala'', rebateu.

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