Desconstrução de antecessor marca governo Beto Richa
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sábado, 09 de abril de 2011
Catarina Scortecci e<br> Vinícius Zanin<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os primeiros 100 dias do governador do Paraná Beto Richa (PSDB), completados hoje, foram marcados pela chamada pauta negativa, priorizando a desconstrução da gestão anterior, dos peemedebistas Roberto Requião e Orlando Pessuti. A análise é do cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emerson Cervi. Em entrevista à FOLHA, Cervi disse que, na troca de gestões adversárias, é normal que a pauta positiva entre numa segunda etapa. O que me parece é que, nos primeiros 100 dias, que não é muito tempo, ainda não chegamos à pauta de construção, à pauta positiva. A nova gestão deve pegar mais para frente, afirma o professor.
Questionado que avaliação faria do seu início no Executivo, Beto Richa explicou que a prioridade foi colocar a casa em ordem. Nós instalamos um período de suspensão de contratos e reavaliação dos gastos que herdamos. Boa parte deles sem previsão orçamentária. E é necessário, não adianta começar um governo se a casa não está em ordem, se não temos capacidade de investimento, se não recompusermos as finanças do Paraná. Se não for assim, como é que vamos fazer as obras e transformações que me disponho a fazer?
Na opinião de Emerson Cervi, a gestão tucana, embora concentrada na desconstrução do seu antecessor, já revelou características próprias. Ele se refere, por exemplo, ao perfil de Beto. A imagem do Beto é o oposto. Requião era o seu governo, ou melhor, o governo só agia através do Requião, que tinha um perfil centralizador. Beto não tem uma postura assim. Ele não tem manifestações fortes junto ao público e houve uma diluição no poder decisório. A mudança no perfil pessoal (do chefe do Executivo) ficou evidente nos primeiros 100 dias, analisa ele.
Talvez pelo fato de o tucano ter uma postura menos agressiva, em comparação ao antecessor, Cervi acredita que a impressão geral é de um Estado que aparece menos. Há pouca visibilidade, o que não significa menos ação, pondera ele.
Uma nova visão de gestão também já foi revelada nos primeiros 100 dias, na opinião do professor. Para Cervi, está claro que houve uma mudança de grupo político, uma mudança de prioridades: Agora se fala em inovação tecnológica, em atrair empresas. Os programas não são voltados à geração de emprego para a massa. Não há aquele discurso populista do antecessor, de Carta de Puebla.
Embora o atual secretário do Trabalho de Beto Richa seja o ex-líder da bancada requianista na Assembleia Legislativa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), a ligação com sindicatos de trabalhadores, por exemplo, deve ser outra na gestão tucana. O PMDB não foi acomodado numa secretaria considerada de ponta para a gestão tucana. Mas Romanelli está lá cumprindo um papel político, representando a ala do PMDB que apoiou a eleição de Beto Richa, comenta o professor.


