O Ministério Público de Londrina vai ter mais trabalho com a Companhia Municipal de Transporte e Urbanismo (CMTU). Na última sexta-feira, o setor de auditoria do município constatou o desvio de material e a utilização indevida de mão-de-obra da frente de trabalho em propriedade particular. A denúncia contra o gerente do setor de manutenção de sinalização de trânsito do órgão, Miguel Esteves Petrivi, foi encaminhada anteontem pelo departamento de Recursos Humanos da prefeitura.
‘‘Inicialmente a denúncia envolvia somente o desvio de mão-de-obra. Ficamos surpresos ao encontrar vários equipamentos e materiais de propriedade da CMTU no local’’, informou ontem o auditor do município, Sadi Chaiben. Segundo ele, postes originalmente utilizados para colocação de semáforos, material de cobertura (exceto telhas), placas e até uma motossera foram encontrados na chácara de Petrivi, localizada em Ibiporã.
O material que tinha placa de propriedade da CMTU foi resgatado do local. A auditoria do município solicitou que a perícia técnica vá à chácara para avaliar o restante do material e comprovar sua procedência. Chaiben informou ainda que a denúncia de desvio de mão-de-obra também foi confirmada. Durante a averiguação, os auditores encontraram o funcionário da frente de trabalho José Nunes trabalhando na chácara de Petrivi.
Em depoimento à polícia de Ibiporã, Nunes confirmou que há dois anos presta serviço na chácara e recebe da prefeitura. O delegado de Ibiporã, José Antônio Zuba de Oliveira, tomou o depoimento de sete pessoas, entre auditores e funcionários do setor gerenciado por Petrivi. Os funcionários que estiveram na chácara junto com os ouvidores afirmaram em seus depoimentos que grande parte do material encontrado nas construções e complementos da chácara provém da CMTU.
Na próxima terça-feira, toda a documentação será encaminhada ao Ministério Público de Ibiporã. O delegado explicou que, ‘‘se houve crime’’, ele ocorreu em Londrina. Por isto, o inquérito será aberto neste município. O trabalho de apuração, no entanto, deverá ser desenvolvido pela polícia de Ibiporã. ‘‘Vamos esperar o recebimento de carta precatória autorizando o início das investigações, o que deve acontecer em no máximo quatro dias’’.
Caso a perícia comprove que houve desvio de material, Petrivi deverá responder por crime de peculato que pode resultar em uma condenação de dois a 12 anos de cadeia. Na área cível, afirma o delegado, cabem ainda ações de ressarcimento de danos e devolução dos bens patrimoniais do município. ‘‘Não acredito que seja interessante a devolução do material porque ele está instalado e já sofreu deteriorização’’, afirmou.po

mockup