Curitiba O decreto do governador Roberto Requião (PMDB) que prevê a desapropriação das ações das empresas que exploram o pedágio no Paraná repercutiu mal junto ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Às vésperas de anunciar a entrega de um novo lote de rodovias federais para ser explorado pela iniciativa privada, o Ministério dos Transportes acredita que a medida de Requião pode espantar possíveis investidores dos leilões que serão feitos para estabelecer as concessões. A previsão é que nos próximos meses abra-se a concorrência para privatizar os trechos da BR-116 e BR-101 que atravessam o Paraná.
O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, quer marcar uma reunião com Requião para discutir o assunto. O encontro ainda não foi agendado, mas desde o final do ano passado Dirceu e o presidente nacional do PT, José Genoino, buscam uma audiência com o governador para discutir atos polêmicos, como a proibição do plantio de transgênicos no Estado e a tentativa de encampação do pedágio.
A tentativa do governo federal de ''enquadrar'' o governador deve se provar pouco frutífera, porém. Requião pretende cumprir sua promessa de campanha de reduzir os preços das tarifas, e pretende forçar o governo federal a adotar o modelo de pedágio de manutenção, que isenta as concessionárias de realizar investimentos nas estradas, possibilitando a prática de preços menores.
O deputado estadual André Vargas, presidente do PT no Paraná, não confirma o mal-estar entre o governo federal eo governador. Mas critica a maneira como Requião vem tentando baixar os preços das tarifas. ''Toda negociação com as concessionárias deveria ter a participação do governo federal, que, em última instância, é o detentor da concessão. Durante a CPI do Pedágio na Assembléia, as concessionárias se mostraram dispostas a negociar. Mas esse tiroteio do governo com declarações nos jornais e ações unilaterais não cria clima para as negociações'', disse.
O presidente estadual do PT está preocupado com os prejuízos ao Estado que podem advir da desapropriação. ''Podemos acabar tendo que pagar indenizações milionárias por um longo período para comprar as empresas. Além disso, essa tentativa do governo de pressionar as empresas na base da força para que elas reduzam os preços pode espantar as empresas que querem explorar as rodovias federais no Paraná.

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