Desapego ao patriotismo reflete nas urnas, avaliam sociólogos
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sábado, 06 de setembro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Se você tem até seus 30 anos, no mínimo, vai lembrar: Hino Nacional com hasteamento de bandeira na escola, uma vez por semana, ou o verde-amarelo estampado nas roupas ou nos carros, nas ruas, durante a Semana da Pátria, não tinham nada de excepcional. Hoje, tomando por base Londrina, esses símbolos de culto à pátria, se não ficaram restritos à semana que antecede o Dia da Independência, praticamente inexistem.
Ao menos na região central, é difícil encontrar um estabelecimento que tenha as cores da bandeira; da mesma forma, o hino parece algo distante da facilidade com o que os jovens aprendem, por exemplo, a baixar músicas ou complexos softwares na rede mundial de computadores. Mas o que esse aparente desapego a um patriotismo mais latente em épocas de Copa do Mundo pode refletir nas urnas? É isso que a FOLHA procurou saber de dois sociólogos que trabalham diretamente com a questão do voto consciente.
Professor na Faculdade Pitágoras, o sociólogo Marco Rossi destaca que, na relação entre a falta de patriotismo e a apatia diante do cenário político, ''uma coisa alimenta a outra''. ''As pessoas estão apáticas àquilo que se refere ao coletivo, à igualdade, pois estão cansadas de não ver o resultado disso na prática. E por quê? Porque entendem a política como algo que deve prover resultado rápido às suas necessidades'', explica.
Na avaliação de Rossi, o próprio horário eleitoral gratuito contribuiu para essa situação. ''Temos um horário político despolitizado, que alimenta essa apatia: é cheio de imagens e promessas, pois se faz em cima de intuição e sensibilidade, que é o que importa para o eleitor imediatista. Para este, portanto, os símbolos pátrios acabam ficando em segundo, até quinto planos'', conta. ''Hoje os símbolos são diferentes: são as contas, o mercado de trabalho... o que diz respeito aos idealismos acaba ficando em um quinto plano.''
Rossi comenta que, no caso dos jovens, a pouca intimidade com o patriotismo tem duas facetas: por um lado, defende o sociólogo, ''falta compreender a linguagem dos tempos atuais, na conversa entre as gerações''. Por outro, sustenta, ''não faz parte dos jovens recuperar a trajetória histórica - e se não há história, o presente se torna frágil, individualista, traz consequências diretas na urna'', acredita. ''É muito cômico hoje ver um desfile de 7 de Setembro, pois falta compreender a linguagem dos tempos atuais sem imposições. Mesmo as escolas são desprovidas de sentimentos pátrios.''
Coordenadora da oscip Observatório Social Londrinense de Estudos da Violência, Conflito e Segurança Pública (Obsocil) e docente na Faculdade Uninorte, a socióloga Francisca Soares defende que o desapego pelos símbolos e manifestações pátrios são ''consequência do desencanto com a política, e observamos essa inversão dos valores, por exemplo, quando tem Copa: para um jogo, há toda uma mobilização, mas não pela cidadania, pela transformação social; na Semana da Pátria, não'', constata. E como reverter esse quadro? ''Só mesmo pela conscientização da importância real do voto. Tem que repensar essa crise no âmbito da política, e isso a gente observa pela própria Câmara de Vereadores de Londrina, e trabalhar, conscientizar o eleitor de seu poder no campo político: ele está sendo disputado a tapas.''


