Para o professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina Elve Censi, a baixa representação política da região se deve a alguns fenômenos básicos. Um deles é a perspectiva individualista de alguns vereadores em se lançarem candidatos mesmo sabendo que as chances de eleição são muito pequenas apenas para "ganharem visibilidade", já de olho nas próximas eleições municipais. Outro fenômeno muito forte também no Paraná é o sistema viciado que se retroalimenta entre a liberação de verbas para os municípios em troca de apoio político. "Assim vai se impedindo que haja renovação", lamenta.

Censi também lembra que a redução do tempo de campanha, de 90 para 45 dias, acabará beneficiando quem já é conhecido. "Quem já é parlamentar tem mídia e exposição decorrente do mandato e muito dinheiro do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Quem não é parlamentar tem tempo curtíssimo para se fazer conhecer e não tem dinheiro", afirma.

Finalmente, quando se fala em uma das 54 cadeiras na Assembleia Legislativa do Paraná, entra em questão o fenômeno da "renovação que não renova nada, que são os filhos dos parlamentares, parentes, sobrinhos, pessoas atreladas, uma continuação das dinastias familiares que em alguns casos vêm dos avós", lembra.

Como solução para aumentar esta representatividade, aponta a regra: menos é mais. "Primeiro os partidos precisam levar a política mais a sério, pensar não a partir dos interesses de nomes específicos e quem já detém mandato parlamentar, sobretudo no caso dos vereadores que serão candidatos, mas pensar a partir das cidades da região e em nomes viáveis, ou seja, menos é mais, precisamos de um número menor de candidatos mas mais representativos da sociedade", afirma.

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