Curitiba O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Fernando Neves, deu ontem uma palestra aos 204 juízes eleitorais que coordenarão as eleições municipais deste ano no Paraná. Segundo Neves, o grande desafio dos magistrados será evitar o uso do dinheiro público e coibir a compra de votos.
Neves foi o ministro responsável pela relatoria das instruções para as eleições deste ano em todo o País. Ele deu destaque especial ao artigo que prevê a suspensão da candidatura ou a perda do mandato do político que comprar votos através do pagamento em dinheiro ou qualquer vantagem material. Recentemente, o TSE cassou o mandato do senador do Amapá João Capiberibe (PSB) e de sua mulher, a deputada federal Janete Capiberibe (PSB). Os dois teriam pago R$ 26 a duas eleitoras em troca dos votos.
O ministro destacou que o grande número de candidatos e a proximidade dos políticos com os eleitores exigem atenção redobrada dos juízes eleitorais. ''Essa é a primeira eleição municipal em que a legislação que prevê o afastamento imediato do cargo ou a suspensão imediata da candidatura estarão em vigor. A fiscalização é necessária, e é importante que a sentença seja baseada em provas consistentes. Não importa se o valor pago na compra é pequeno ou não'', salientou.
Neves também anunciou as mudanças no sistema de prestação de contas dos candidatos. ''É hora de acabar com essa história do candidato fingir que as contas estão corretas e a Justiça Eleitoral fingir que acredita'', disparou.
Uma das restrições que passarão a valer nessa eleição é a obrigatoriedade dos candidatos prestarem contas de eventos como shows e jantares em que se arrecade recursos. ''O que vínhamos apurando é que os jantares vinham sendo usados como uma forma de aparecer misterioramente recursos nas contas, sem identificação.''

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