Desafio dos candidatos é elevar exportações
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O aumento das exportações foi eleito como prioridade na política econômica pelos quatro candidatos com chances reais de chegar à presidência da República nas eleições de outubro deste ano. Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), José Serra (PSDB), Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB) reconhecem que o aumento das vendas externas acompanhado por redução nas importações, que também é fundamental nos próximos anos, é o melhor mecanismo para diminuir a vulnerabilidade externa - dependência de recursos externos para financiar as transações correntes -, um das maiores responsáveis pelo risco país.
Para a principal entidade empresarial do País, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o objetivo da política exterior do próximo governo deve ser elevar as exportações em pelo menos 10% ao ano já em 2003 e segurar o aumento de importações em, no máximo, 7% ao ano. A entidade defende esses número porque, só no ano passado, o déficit em conta corrente do País - que registra todas as transações do Brasil com o Exterior, incluindo bens, serviços e pagamento de juros - foi de US$ 23, 21 bilhões.
Nos últimos anos, o saldo negativo das transações correntes foi financiado basicamente pelo ingresso de investimento diretos estrangeiros, puxados pelas privatizações. Com a redução dos ativos estatais à venda, a fonte de recursos passa a ser principalmente os superávits comerciais. Para a Fiesp, o Brasil deve gerar, até 2006, um superávit comercial de pelo menos US$ 16 bilhões.
Com as importações crescendo menos que os embarques para o Exterior, a entidade espera que ocorra um forte processo de substituição de importações, que poupe pelo menos US$ 6 bilhões/ano do saldo, conforme indicado no documento ''O Brasil de Todos Nós'', um projeto preparado pela Fiesp com propostas na área de economia.
O desafio, entretanto, tem se mostrado mais difícil de enfrentar do que se pensava há três anos. Em 1999, o atual governo lançou a meta de exportar US$ 100 bilhões já no final de 2002. Mas um cenário externo desfavorável, com a desaceleração econômica das principais economias mundiais, aliado ao que os empresários brasileiros chamam de falta de estímulo interno às exportações, tornaram o objetivo impossível de ser cumprido no prazo. Tanto que no ano passado as exportações atingiram US$ 58, 2 bilhões e neste ano, ao que tudo indica, também não devem superar esta marca. Já as importações foram de US$ 55,6 bilhões, com saldo positivo de US$ 2,6 bilhões.


