Desafio do governo é crescimento do PIB, diz espanhol
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sábado, 05 de abril de 2003
João Caminoto<br> Agência Estado 
Londres O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode criar as condições para que no final de seu mandato a economia brasileira esteja muito mais estável e menos vulnerável aos choques externos. A manutenção de políticas macroeconômicas sólidas e a implementação de reformas aliadas a um cenário financeiro internacional favorável aos mercados emergentes poderão levar o país a um crescimento sustentável nos próximos anos. A avaliação é do economista Guillermo de la Dehesa, presidente do Center for Economic Policy Research, centro de estudos de Londres que reúne renomados economistas, acadêmicos e banqueiros de todo o mundo.
''Estamos vendo um início de governo muito positivo e Lula tem a chance de finalizar o seu atual mandato com o país numa situação muito melhor'', disse Dehesa, ao avaliar os primeiros 100 dias do governo. O economista considerou ''excelente'' a atual condução da políticas monetária e fiscal, ressaltando a determinação do Banco Central em combater uma escalada inflacionária.
Ele alerta, no entanto, que o governo ainda terá que enfrentar riscos. A aprovação de reformas, principalmente a da previdência, ''poderá ser mais lenta do que o previsto'' diante de fortes resistências políticas. Além disso, as atuais incertezas no ambiente regulatório do País também poderão prejudicar os fluxos de investimentos diretos estrangeiros.
''Os investidores olham sempre uma perspectiva estável de longo prazo'', disse. ''Incertezas podem afetar os investimentos tanto das empresas já no País como daquelas que planejam entrar no mercado brasileiro.''
Segundo o economista espanhol, o governo precisa conduzir com muita cautela as negociações para mudanças de contratos com as empresas prestadoras de serviços. ''É normal que os contratos tenham que ser negociados ao longo do tempo, mas é preciso se evitar mudanças radicais e bruscas'', afirmou. ''Isso poderia afetar a confiança no Brasil e precisa ser administrado com muito cuidado.''
Na opinião de Dehesa, as condições do mercado financeiro internacional apontam que o risco Brasil deve continuar numa trajetória de queda. Além das boas notícias na frente doméstica, há uma forte procura por ativos de mercados emergentes, que oferecem retornos maiores aos investimentos. O economista observou que os grandes fundos de investimentos e de pensões estão cientes de que o retorno financeiro nos mercados acionários dos países ricos será limitado.
Com exemplo, ele citou o desempenho de grandes fundos de investimentos com exposição de 60% nos mercados acionários e 40% em títulos. Entre 1982 e 1999, esses fundos obtiveram um retorno médio de 15% ao ano. A perspectiva para os próximos anos é de que esse retorno não superará os 6% anuais. ''A única maneira dos investidores aumentarem seus ganhos é através dos mercados emergentes. Isso dará chance ao Brasil para reduzir sua taxa de risco e os juros domésticos.''


