Via de regra alijada da memória dos eleitores, a figura do candidato a vice nestas eleições passou a assumir um papel de maior destaque nas campanhas, principalmente na sucessão estadual. Até porque depende deles a continuidade da administração na ausência do titular, seja temporária ou permanente. Mas o próprio eleitorado só toma consciência da importância e da existência deles nestas situações. Pelo menos no caso das cinco principais candidaturas ao Palácio Iguaçu cada vice já conta com um papel definido e mais abrangente dentro da estrutura administrativa, como cargos de secretários ou na gestão de projetos especiais.
A história recente dá mostras da importância de conhecer quem e quais as intenções do vice. Nos últimos 17 anos dois vices se viram na obrigação de assumir a presidência da República. O caso mais recente foi o do ex-presidente Itamar Franco (PMDB), que assumiu o cargo em dezembro de 1992 em meio a uma crise política desencadeada pelo impeachment de Fernando Collor de Mello. Figura excêntrica, Itamar deixou o anonimato para fazer parte da galeria de presidentes e saiu do Palácio do Planalto jurando a paternidade do Plano Real.
Em 1985, José Sarney (PMDB), o primeiro presidente civil depois de 20 anos de ditadura militar, assumiu o poder no lugar de presidente eleito Tancredo Neves, na época impedido em função de uma doença que o levou à morte. A importância do vice tem chamado a atenção até da mídia nacional, tanto que pela primeira vez na história política brasileira há duas semanas os candidatos a vice-presidentes participaram de um debate promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão.
A presença do vice no dia a dia da administração pública, em alguns casos, pode ser muito mais frequente e necessária do que se imagina. Durante o segundo mandato do governador Jaime Lerner (PFL), por exemplo, de cada oito dias a vice Emília Belinati (PFL) governou um. Isso equivale a mais de um ano em quatro de mandato.
Sedentos por aparecer e convencer o eleitorado, os principais candidatos a vice no Paraná resolveram deixar a modéstia de lado e abominaram a figura do coadjuvante. ''Mesmo não assumindo o governo eu terei uma participação relevante na administração, principalmente na relação política com o parlamento (Assembléia Legislativa) e na própria Ouvidoria do Estado'', adianta o candidato a vice-governador pela Coligação Renova Paraná (PT/PCB/PCdoB/PHS/PL), Emerson Nerone. Como vice do petista Padre Roque Zimmermann, ele participa diretamente da coordenação da campanha.
Cabe aos vices o desafio de se fazerem tão conhecidos quanto os próprios candidatos a governador. ''Nosso grande adversário é o pouco espaço de tempo na televisão'', reconhece a vice na chapa de Rubens Bueno (PPS), Sigrid Andersen (PV), 45 anos. ''O carro chefe do nosso programa de governo é o projeto de desenvolvimento sustentável para o Estado e pretendo atuar dentro da esfera administrativa de forma a garantir a sustentabilidade em todas as secretarias'', propõe.

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