Derrubado projeto que proibia nepotismo
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terça-feira, 20 de março de 2001
Denise Angelo De Ponta Grossa 
Na sessão da Câmara de Vereadores de Ponta Grossa, realizada na segunda-feira à noite, metade dos 21 vereadores deixou claro sua posição sobre o nepotismo: são a favor. Um projeto de lei, apresentado pelo vereador Rogério Sermann (PFL), tinha a intenção de proibir a contratação de parentes, tanto no Executivo quanto no Legislativo. Mas para se tornar lei, a matéria precisava da aprovação de dois terços dos parlamentares 14 votos. No entanto, só dez votaram pela aprovação. Um dos vereadores faltou à sessão.
Dos dez vereadores que votaram contra o projeto, sete têm parentes trabalhando em seus gabinetes. São filhos, sobrinhos e mulheres que ajudam a engordar o salário de R$ 3,5 mil que eles ganham para participar de oito sessões mensais.
O vereador Albino Szesz (PDT) alegou que é contra qualquer projeto que favoreça o desemprego. Delmar Pimentel (PL) acredita que a matéria não deveria nem ter entrado em discussão. E o vereador Messias Carneiro de Moraes (PSDB), que exonerou seu filho há alguns dias, disse que lhe deu emprego para que pudesse conhecer melhor o trabalho do pai. O detalhe é que o filho estuda em Curitiba e passa pouquíssimo tempo em Ponta Grossa.
O autor do projeto, Rogério Sermann, diz que pretende reapresentá-lo no ano que vem. Sermann está no seu quarto mandato e essa foi a segunda vez que a proposta foi rejeitada pela Câmara.
Além do assunto ser polêmico, outro fator contribuiu para que a sessão ficasse tumultuada. O representante do Movimento pela Ética e Cidadania, Carlos Renato Furstenberger, disse que falava sobre o assunto com um companheiro que estava ao seu lado, quando um funcionário da Câmara teria mandado ele ficar quieto.
Depois de alguns minutos de confusão, descobriu-se que o funcionário é Rogério Quadro Júnior, filho do vereador Rogério Quadros (PMDB) um dos defensores do nepotismo. São pessoas da minha confiança e competentes para desenvolver a função que têm, justificou o vereador. O filho dele não quis comentar o episódio.
Na mesma sessão, os vereadores criaram uma Comissão Especial de Investigação (CEI) que vai analisar o contrato da Sanepar com o município.


