Nos últimos 90 dias, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) foi derrotado pelo presidente nacional do PMDB, Jader Barbalho (PA), na sucessão do Senado; perdeu a guerra pela presidência da Câmara; viu cinco deputados federais e outros cinco estaduais deixaram o PFL baiano e seus dois ministros foram demitidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que o classificou de político ultrapassado com saudades da ditadura. Mas, a despeito das derrotas que geraram uma crise no ‘‘carlismo’’, a oligarquia que ACM comanda na Bahia mantém-se intacta.
‘‘O senador Antonio Carlos ainda continua muito forte na Bahia porque construiu uma estrutura de poder arraigada dentro do Estado’’, admite o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA), um dos mais ferrenhos inimigos políticos de ACM. Segundo ele, o poderio do senador baiano foi consolidado no Estado com a criação de um império de comunicação e com sua influência no poder Judiciário e Legislativo. ‘‘Mas há hoje um cansaço da população e é, por isso, que ele pode ser derrotado nas eleições do ano que vem’’, diz o peemedebista, um dos pré-candidatos de seu partido ao governo da Bahia.
Outro adversário de ACM, o líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Magalhães (BA), também reconhece a força do senador na Bahia. Mas comunga da mesma esperança de Vieira Lima de derrotar o ex-presidente do Senado nas eleições de 2002. ‘‘A oligarquia de ACM na Bahia tem pé de barro’’, sustenta Magalhães. E argumenta que, por mais que se esforce, ACM não tem perspectiva de um projeto nacional, depois da morte de seu filho Luiz Eduardo Magalhães, em 1998. ‘‘O ACM não será nunca candidato à Presidência da República porque sabe que a imagem dele é a do coronelão atrasado e violento’’, dispara o tucano.
Apesar de manter com mão de ferro sua oligarquia na Bahia, adversários e aliados de ACM reconhecem que o ‘‘carlismo’’ está vivendo seu pior momento dos últimos dez anos, desde que o senador conseguiu reerguer-se politicamente no Estado ao derrotar o ex-governador e hoje deputado federal Waldir Pires (PT), no fim da década de 80. Os sinais concretos da crise do ‘‘carlismo’’ são apontados pelos inimigos políticos de ACM em uma sucessão de reveses políticos, como a migração do PFL para o PMDB de dez deputados - cinco na Câmara e o restante na Assembléia Legislativa da Bahia.
‘‘Na Bahia, a correlação de forças mudou totalmente e hoje passamos a representar um terço da Assembléia depois que cinco deputados abandonaram o carlismo’’, comemora o deputado estadual Artur Maia (PSDB). Dos 63 deputados estaduais baianos, ACM comanda o voto de 42. O restante dos deputados se uniu em uma aliança local que vai do PMDB, passa pelo PSDB e chega ao PT. ‘‘É a primeira vez que o ACM tem um contraponto na Assembléia, que nos dá condição de até pedir abertura de CPIs’’, diz Maia. Na Câmara, o ex-presidente do Senado também viu o seu domínio sobre os votos da bancada baiana, que tem um total de 39 deputados federais, cair de 27 para 22 parlamentares.

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