Curitiba - O envolvimento nas disputas majoritárias foi o principal "culpado" pela renovação de 12 das 30 cadeiras ocupadas hoje por paranaenses na Câmara dos Deputados. Entre aqueles que deixarão Brasília a partir de 2015, apenas quatro nomes podem ser apontados como derrotados nas urnas: André Zacharow (PMDB), Angelo Vanhoni (PT), Nelson Padovani (PSC) e Reinhold Stephanes (PSD). Há também os casos de Odílio Balbinotti (PMDB), que na última hora decidiu não concorrer, de André Vargas (sem partido), que responde a processo por suposta quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa, e de Ratinho Jr. (PSC), deputado estadual mais votado do Paraná.
Abelardo Lupion (DEM), Dr. Rosinha (PT), Eduardo Sciarra (PSD), Cida Borghetti (Pros) e Rosane Ferreira (PV) tiveram papel de destaque nos pleitos estadual e nacional. Os dois primeiros, que já tinham desistido da reeleição, coordenaram as campanhas de Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), respectivamente, à Presidência da República no Paraná. Já Sciarra respondeu pela de Beto Richa (PSDB) ao Palácio Iguaçu. Ele é um dos cotados para assumir alguma secretaria de destaque na próxima gestão tucana. Cida e Rosane, por sua vez, foram vices nas chapas de Roberto Requião (PMDB) e Beto, a última vitoriosa.
Zacharow disse que encarou a derrota com "naturalidade" e que acredita ter feito seu papel. "Atendi muitas prefeituras. A área da saúde foi a prioridade que adotei. A vida continua. Sou advogado e economista. Tenho uma atividade profissional e vou me dedicar a isso". Segundo ele, a eleição foi uma luta "completamente desigual", em matéria financeira. "É urgente uma reforma política. O fator principal dessa campanha foi o elevado custo. Não cheguei a gastar R$ 400 mil. E muitos gastaram milhões e milhões", criticou.
Prestes a encerrar seu segundo mandato consecutivo, Vanhoni contou que ainda não parou para pensar sobre o seu futuro na política. Recentemente, ele esteve envolvido com a relatoria do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em junho e que fixa um conjunto de 20 metas para o setor. "Claro que eu não esperava (a não reeleição). Mas entendo que isso pode acontecer na vida de qualquer parlamentar. Acho que nesses últimos oito anos, tanto em relação à cultura como na educação, cumpri com o meu dever. E vou continuar trabalhando na política, ajudando o Brasil a melhorar suas condições sociais".
Já Padovani pretende atuar na iniciativa privada. "Em fevereiro, naturalmente, volto para as minhas empresas. A política é passageira. Fiz um bom trabalho no meu mandato e tive uma avaliação muito grande na mídia nacional". Apesar de garantir que não possui mágoa de ninguém, o ruralista lamentou não poder mais integrar a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Casa. "O agronegócio que segura o PIB (Produto Interno Bruto) desse País. Mas o trabalho não vira voto, infelizmente".
Ex-chefe da Casa Civil na gestão Beto Richa e deputado federal no sétimo mandato, Reinhold Stephanes (PSD) atribuiu sua derrota, entre outras coisas, ao baixo desempenho em Londrina. Em entrevista à FOLHA publicada logo após a proclamação do resultado, ele afirmou que esperava fazer, no mínimo, dez mil votos na cidade administrada pelo correligionário Alexandre Kireeff; porém, conseguiu pouco mais de cinco mil. Stephanes também lembrou que Curitiba, onde costumava obter boa votação, contou com o "fenômeno" Cristiane Yared (PTN), recordista de votos no Estado. Assim como Sciarra, ele pode voltar a integrar a administração estadual. O governador reeleito, contudo, já declarou que só irá anunciar os nomes em dezembro.

Imagem ilustrativa da imagem Derrotados nas urnas falam dos planos para 2015
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