Derrotados em 2018, Richa e Requião já articulam retorno às urnas em 2022


José Marcos Lopes - Especial para a FOLHA
José Marcos Lopes - Especial para a FOLHA

Derrotados nas urnas nas eleições de 2018, quando concorreram ao Senado, os ex-governadores Beto Richa (PSDB) e Roberto Requião (sem partido) estudam convites e já iniciaram as articulações para voltar à disputa eleitoral em 2022. O tucano depende do andamento de seus processos na Justiça — ele é réu em ações das operações Integração e Rádio Patrulha, que investigam supostos atos de corrupção nos contratos de pedágio e em obras em estradas rurais, respectivamente. Já Requião avalia convites para ingressar no PDT, no PT e no PCdoB desde que deixou o MDB, no início deste mês. 


  

 

Derrotados em 2018, Richa e Requião já articulam retorno às urnas em 2022
Orlando Kissner/ANPr
 


Beto Richa participou em Curitiba há duas semanas de um encontro com o governador de São Paulo, João Doria, um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência da República no próximo ano. Richa já estaria em contato com prefeitos e ex-prefeitos do interior do estado para articular apoio a uma candidatura à Câmara dos Deputados em 2022. O tucano foi preso durante a campanha ao Senado em 2018, em uma operação do Ministério Público do Paraná, e acabou em sexto na disputa - foram eleitos Oriovisto Guimarães (Podemos) e Flávio Arns (Rede). 


  


“Estamos pedindo para que ele (Richa) seja candidato a deputado federal, mas até esse momento ele não definiu. Está focado em sua defesa jurídica”, confirmou o presidente do PSDB no Paraná, deputado estadual Paulo Litro. “Um grande número de lideranças, de prefeitos, ex-prefeitos e ex-deputados, de diversas siglas, apoia a candidatura dele a deputado federal”. 


  


  


Litro não descarta a possibilidade de o ex-governador voltar a disputar uma vaga no Senado — em 2022, cada estado elegerá apenas um senador. Outros nomes cotados para a disputa pelo Senado são os do ex-prefeito de Ponta Grossa Marcelo Rangel e do ex-deputado Luiz Carlos Hauly. Segundo Paulo Litro, a meta dos tucanos no próximo ano é eleger quatro deputados estaduais e cinco estaduais. Atualmente o partido tem três parlamentares na Assembleia Legislativa e um na Câmara dos Deputados. 


  


  


Neste mês, a defesa de Beto Richa obteve duas vitórias no STF (Supremo Tribunal Federal). Na primeira delas, o ministro Gilmar Mendes votou para que as ações ligadas à Operação Integração e à Operação Rádio Patrulha, em trâmite na Justiça Comum, sejam transferidas para a Justiça Eleitoral. O pedido ainda será analisado pelos outros integrantes da segunda turma do STF. Mendes também determinou que a defesa do tucano tenha acesso ao material obtido no âmbito da Operação Spoofing, que investiga invasões às contas do Telegram de membros do MPF (Ministério Público Federal) ligados à operação Lava Jato. Richa nega todas as acusações feitas pelo MPF. A reportagem tentou contato com o ex-governador, mas a assessoria do tucano informou que ele não poderia dar entrevistas na última semana. 


  


  

OPOSIÇÃO A RATINHO JR.

 

Derrotados em 2018, Richa e Requião já articulam retorno às urnas em 2022
Eduardo Matysiak/Futura Press/Folhapress
 


Já o ex-governador Roberto Requião deve oficializar a sua entrada em outro partido nos próximos dias. No início do mês ele foi convidado a ingressar no PT pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, também convidou o ex-emedebista. Principal liderança do MDB no Estado, Requião (que ficou em terceiro na disputa por uma vaga no Senado em 2018) deixou o partido no início do mês, após ser derrotado na convenção estadual - o escolhido como presidente foi o deputado estadual Anibelli Neto. O ex-governador gravou um vídeo convocando seus apoiadores a segui-lo para a nova legenda — caminho que deverá ser seguido por seu filho, o deputado estadual Requião Filho. 


  


Lideranças avaliam que Requião é o único nome de peso para enfrentar o atual governador Ratinho Junior (PSD), que deverá concorrer à reeleição. “Ele (Requião) se mostrou simpático e disposto a conversar”, disse o presidente do PCdoB no Paraná, Elton Barz, que confirmou o convite ao ex-governador. “É alguém que pode contribuir para o debate nacional, por isso PT e PDT também estão atrás dele. É um nome que pode atrapalhar o processo de reeleição do Ratinho Junior. Colocamos o partido à disposição, para formarmos uma grande aliança”. 


  


No caso de Requião voltar a disputar o Palácio Iguaçu, o candidato a presidente pela sigla — Lula, no caso do PT, ou Ciro Gomes, no caso do PDT — teria um forte palanque no estado. Mas a disputa por uma vaga de deputado federal, com Requião Filho tentando a reeleição de deputado estadual, não está descartada.  


  


Outro partido citado como possível destino de Roberto Requião foi o PSB — o que foi negado pelo presidente da sigla no Paraná, Severino Araújo. “Não houve convite por parte da direção municipal de Curitiba, da direção estadual e da direção nacional”, garantiu Araújo. O PSB integra a base de apoio a Ratinho Junior na Assembleia Legislativa e deverá apoiar a reeleição do governador. A reportagem tentou contato com o ex-governador, mas não obteve retorno.  


  

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