Derrotado no STF, Itamar ''lava as mãos''
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domingo, 17 de setembro de 2000
Evaldo Magalhães Agência Estado De Belo Horizonte 
O governador de Minas Gerais Itamar Franco (sem partido) lavou as mãos, segundo assessores, em relação à proteção da fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG), ameaçada de invasão por integrantes do MST. No sábado à noite, em resposta à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, de negar liminar a mandado de segurança solicitado pelo governador pedindo a retirada das tropas federais da fazenda, de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso , Itamar determinou que dezenas de homens da Polícia Militar de Minas que estavam mobilizados na região se retirassem, progressivamente.
A determinação foi comunicada por meio de duas notas oficiais. Elas foram elaboradas depois que Itamar tomou conhecimento de comunicado do governo federal, segundo o qual as tropas federais em Burutis estariam em condições de se retirar da fazenda para que a propriedade pudesse ser guardada pela PM mineira. A primeira, resumida, foi lida pelo comandante-geral da PM, Mauro Lúcio Gontijo, no Palácio das Mangabeiras, por volta das 18h30. Ela afirmava apenas que Itamar determinava a desmobilização das tropas da PM em Burutis.
A segunda, mais completa, foi divulgada em seguida e trazia as justificativas do governador. Nela, Itamar afirmou que o governo de Minas nunca se negou a dar plena garantia da Lei e da Ordem no caso da invasão (inexistente) da fazenda do Noroeste mineiro. Ele também alegava que as providências que a PM mineira tomava para garantir a segurança da propriedade, no início da semana passada, teriam sido atropeladas pela decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de enviar as tropas federais. O governador reiterou seu inconformismo com a atitude do presidente.
Em seguida, Itamar ressalta que sua discordância não envolve questão de natureza pessoal, mas a defesa intransigente de princípios constitucionais. Diz que as Forças Armadas devem ser empregadas supletivamente, quando exauridas as probalidadades de atuação das forças de segurança estaduais, o que, a seu juízo, não era o caso.
Não obstante, é indiscutível que somente cabe cumprir a decisão judicial que manifestou entendimento contrário, no sentido de que compete às Forças Armadas, a juízo do exclusivo do presidente da República, proteger a propriedade privada por ele mesmo utilizada, ainda que eventualmente, disse.
Além de ter iniciado, ainda na noite de sábado, a retirada das tropas da PM na região de Burutis , Itamar desmobilizou o efetivo que fazia a proteção do Palácio da Liberdade, sede administrativa do governo mineiro, na Zona Sul de Belo Horizonte.
Cerca de 100 policiais, entre eles atiradores de elite mascarados, com um aparato formado por carro blindado, UTI móvel, cães farejadores e até barracas de campanha, haviam sido destacados para o Palácio em razão de informações sigilosas, alegadas pelo governador, de que o prédio poderia sofrer um atentado.


