As eleições municipais realizadas no último final de semana tiveram gosto amargo para o governador Jaime Lerner (PFL) e para os senadores Alvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB). As urnas não foram generosas com as três principais lideranças políticas do Paraná. Cada um a seu modo, Lerner, Alvaro e Requião sofreram derrotas em seus redutos eleitorais e terão de repensar seus planos políticos de agora em diante.
A realização do segundo turno em Curitiba – o maior colégio eleitoral do Estado, com 1.110.189 eleitores – oficializada na noite de anteontem com a totalização de todos os números pela Justiça Eleitoral do Paraná, atingiu em cheio Lerner e Requião. Os dois são adversários políticos e tentaram sem êxito fazer de seus candidatos, o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) e o ex-deputado Maurício Requião (PMDB), respectivamente, a preferência do eleitorado curitibano.
As eleições também castigaram Alvaro Dias. O senador tucano, ex-governador, não tinha esperanças em Curitiba, até porque a cidade nunca foi seu reduto eleitoral – ele foi do Norte para o Sul, pois tinha base em Londrina. Porém, Alvaro nunca imaginava que, no fechamento dos números, levaria uma invertida em cidades-destaque como Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa. Nestas cidades, o PSDB dava como certa a sua vitória. Os números, entretanto, frustraram as expectativas.
Tanto Jaime Lerner como Alvaro Dias e Requião têm planos políticos ousados. E terão de correr atrás do prejuízo, registrado nas urnas, se não quiserem se ‘‘aposentar’’ antes da hora. Lerner luta para se tornar um nome viável à presidência da República. Busca a unção do PFL para o projeto. Alvaro quer reassumir o Palácio Iguaçu em 2002 e ao senador Requião não resta muita opção a não ser concorrer à reeleição ao Senado.

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