Curitiba - Quatro meses depois do início das denúncias de irregularidades envolvendo o presidente da Câmara de Vereadores de Curitiba, João Cláudio Derosso (PSDB) pediu ontem seu afastamento da presidência do Legislativo pelo período de 90 dias. Quem fica no lugar de Derosso é o vice-presidente da Casa, vereador Sabino Picolo (DEM). Derosso também anunciou seu afastamento do PSDB. A decisão ocorreu menos de uma semana depois que o Ministério Público (MP) estadual ingressou com ação civil pública por improbidade administrativa contra Derosso e que também pedia o afastamento dele do cargo.
O requerimento que pedia o afastamento na Câmara precisava passar por aprovação dos demais vereadores, o que foi feito na sessão plenária de ontem em menos de dez segundos, sem apartes da situação ou da oposição. O próprio Derosso não apareceu em plenário e, no documento que solicita a sua saída, não foi apresentada nenhuma justificativa. A decisão teria sido tomada em conjunto com os demais vereadores do PSDB.
Esse afastamento temporário de Derosso já havia sido pedido por vereadores da bancada de oposição por diversas vezes, culminando, nos últimos meses, na criação de um movimento, o ''Fora Derosso'', que mais de uma vez chegou a reunir populares, políticos da oposição e movimentos sociais pelo centro de Curitiba. Derosso é acusado de ter beneficiado a esposa dele, a jornalista Cláudia Queiroz Guedes, em contratos de publicidade firmados pela Câmara entre 2006 e 2010. Proprietária da empresa Oficina da Notícia, Cláudia administrou quase R$ 6 milhões em serviços de publicidade durante este período. Além do MP, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investiga em que tipo de serviços esse dinheiro foi empregado.
A esposa de Derosso, por sua vez, pediu afastamento da TV E-Paraná, onde apresentava um programa de variedades matinal, no final de agosto. Ela alegou problemas de saúde. Desde então, não voltou mais a apresentar o programa.

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