"Temos que pensar um pouquinho no Estado e deixar de demagogia", disse o novo comandante do DER-PR ao ser questionado sobre valor do pedágio
"Temos que pensar um pouquinho no Estado e deixar de demagogia", disse o novo comandante do DER-PR ao ser questionado sobre valor do pedágio | Foto: Divulgalção/DER



Curitiba - O recém-empossado diretor-geral do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) do Paraná, Paulo Montes Luz, afirmou ontem que a inclusão do órgão nas investigações da Lava Jato é um "equívoco". Ele assumiu o cargo no lugar de Nelson Leal Junior, preso na última quinta-feira (22), durante a deflagração da 48ª fase da Operação, que apura suspeitas de corrupção, fraude a licitações e lavagem de dinheiro na concessão de rodovias federais. Ao tornar público o caso, o MPF (Ministério Público Federal) informou que identificou um superfaturamento de até 89% no valor do pedágio.

De acordo com Luz, o MPF não considerou em seu parecer uma série de documentos entregues ao TCU (Tribunal de Contas da União). "Tudo indica que o MPF não acatou as informações que nós passamos. Eu assinei [os aditivos], eu e minha equipe, essas 16 pessoas que trabalham comigo. Foram várias reuniões que tivemos durante dois anos. Eu boto a minha mão no fogo pelo nosso pessoal", comentou, em entrevista coletiva. "O Paraná está, através do juiz Sergio Moro, passando a limpo o Brasil. No meu ponto de vista, pessoa física, tentaram trazer a Lava Jato para o DER, mas não faz sentido", acrescentou.

O diretor-geral também contou que o DER não pretende alterar o contrato inicial com as concessionárias, firmado em 1997 e previsto para acabar em 2021. "Para reduzir [as tarifas], só se tirar os investimentos. Acho que não é salutar. Estamos no final do contrato. Temos que pensar um pouquinho no Estado e deixar de demagogia. O DER, infelizmente, segue o contrato e não tem condições de mudar".

INVESTIGAÇÕES
O foco das investigações do MPF são duas empresas ligadas ao Grupo Triunfo, do qual faz parte a Econorte, uma das seis companhias do Anel de Integração do Estado. Os procuradores se basearam num relatório apresentado pelo TCU em 2012, segundo o qual as tarifas paranaenses poderiam ser reduzidas em 18%. O que houve, porém, foi um aumento de 25%. concedido graças à assinatura de dois aditivos, com anuência do DER.

Nelson Leal Junior ocupava o cargo desde 2013 e tinha sido nomeado pelo irmão do governador Beto Richa (PSDB), José Richa Filho, secretário de Estado da Infraestrutura e Logística. No pedido de prisão, o MPF argumentou que o agora ex-diretor vinha usando a função para editar atos em favor das concessionárias. Conforme as investigações, ele comprou um apartamento de luxo em Balneário Camboriú (SC) por R$ 2,5 milhões sem declarar à Receita Federal. Além disso, cerca de R$ 500 mil do valor total foram pagos em espécie ou com recursos sem origem identificada.

Na coletiva desta sexta-feira (23), Paulo Luz leu um manifesto, atestando que o DER tem 71 anos de história e mais de mil funcionários, entre engenheiros, advogados, economistas e técnicos, e que está colaborando com a Operação Lava Jato. O governador já tinha determinado, anteontem, a instauração de um processo de investigação para esclarecimentos das irregularidades. Ele afastou tanto Leal Junior como Nasser, o qual, atestou, "exercia a função de assessor político junto à Casa Civil, cargo de terceiro escalão, sem qualquer vínculo com o gabinete do governador".

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