Curitiba - O Departamento de Estradas e Rodagem (DER), órgão vinculado à Secretaria de Estado dos Transportes, está enviando notificações às concessionárias que exploram o pedágio nas rodovias do Paraná. A auditoria, feita junto às concessionárias, apontou para várias irregularidades, de acordo com o governo estadual. Isso, no entendimento do governo, inviabiliza o reajuste pretendido pelas concessionárias. Pelo contrato em vigor, firmado há sete anos durante o governo Jaime Lerner (PSB), as concessionárias podem realizar reajustes unilateralmente a partir do dia 1º de dezembro de cada ano.
O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, disse que os detalhes sobre a auditoria serão divulgados na próxima segunda-feira. Ele afirmou que o DER tem poderes para negar o reajuste, mas essa decisão ainda não foi tomada.
As concessionárias afirmavam que o reajuste médio pretendido era de 15,34%. De acordo com o DER, a Rodovia das Cataratas quer um aumento de 64% no valor da tarifa cobrada na praça de São Miguel do Iguaçu. Um carro leve, que paga hoje R$ 4,40, passaria a pagar R$ 7,20. A Ecovia, administradora do trecho que liga Curitiba a Paranaguá, pretendia um aumento de 31%, o que elevaria a tarifa atual de R$ 6,10 para R$ 8,00.
A Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) no Paraná entende que o DER tem que conceder reajustes. ''O DER deve apenas analisar o material enviado pelas concessionárias e dizer se o cálculo está certo ou errado. Se estiver certo, deve homologar o pedido, caso contrário corrigir as contas, mas com a finalidade de dar o reajuste'', afirmou o presidente regional da ABCR, João Chiminazzo Neto. Ele disse que a Rodovia das Cataratas pleiteia um reajuste superior à média porque duplicou o trecho que liga Medianeira a Foz do Iguaçu, ainda no ano passado. ''Duplicando a rodovia, duplicam os trabalhos da empresa, que no ano passado não obteve o reajuste pretendido'', relatou.
Segundo a ABCR, nenhuma concessionária havia sido notificada até o início da noite de ontem. ''Não temos conhecimento de nenhuma irregularidade e só poderemos falar a respeito depois de termos acesso ao material da auditoria'', afirmou. Ele disse que as empresas requisitaram várias vezes ao governo federal a participação nos trabalhos das auditorias, o que não foi aceito.
Depois de receber as notificações, as concessionárias terão cinco dias para enviar explicações ao DER. O diretor do DER, Rogério Tizzot, disse que esse prazo garante o direito de defesa das empresas.

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