Curitiba - A Secretaria de Estado dos Transportes e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) deverão fazer às concessionárias uma proposta formal de novas tarifas de pedágio no Paraná, com base nos leilões feitos pelo governo federal nos mês passado. Os leilões culminaram com valores de tarifas que deverão variar em R$ 0,99 e R$ 3,89 nas rodovias federais que cortam o Estado.
''Quero que sejam nos mesmos moldes da concorrência nacional, com mudanças contratuais e com prestação de contas'', disse o governador Roberto Requião (PMDB), ao dar a responsabilidade de estudar as tarifas ao secretário Rogério Tizzot. ''Quero que todas as reuniões sejam abertas, com acompanhamento da imprensa. Tem que ser o mais claro possível.''
Requião garantiu que não abrirá mão do equilíbrio econômico e financeiro dos contratos assinados em 1998 e que teriam sido supervalorizados durante a campanha de reeleição do governador Jaime Lerner (PSB). ''Todo desequilíbrio contratual começou lá atrás. Quando o Lerner resolveu unilateralmente baixar em 50% as tarifas do pedágio para ganhar a eleição de mim. Depois que ganhou teve que fazer readequações contratuais e acabou fazendo essa bola de neve e dando lucros absurdos para as concessionárias.''
Um estudo feito pelo DER demonstrou que as concessionárias tiveram um movimento de entrada de valores de pedágio de cerca de R$ 750 milhões e teriam investido menos de R$ 50 milhões nas estradas. ''Os estudos do DER demonstram que R$ 100 milhões seriam suficientes para manter essas rodovias. Não vou e não posso homologar nenhum acordo canalha com as concessionárias de pedágio. Elas não fizeram nada até agora. Queremos moralizar o sistema e fazer com que as concessionárias recebam o que merecem pela prestação de serviço.''
Tizzot informou que não irá autorizar aumento de tarifas, nem a compra da Rodovia das Cataratas. Segundo ele, o DER recebeu uma solicitação para que a estatal aprovasse a compra da concessionária pela Ecovia Caminhos do Mar.
Através da assessoria de imprensa, a Ecovia negou que tenha feito a solicitação, pois por contrato nenhuma das seis empresas que atuam no Anel de Integração poderiam comprar outras.
Sobre a proposta de Requião, a Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) divulgou nota reclamando que ''mais uma vez foram divulgados números errados de faturamento e investimento das concessionárias. Isso deixa claro que a questão do pedágio continua sendo tratada pelo Executivo de forma ideológica''. A nota diz ainda que a ABCR mantém a confiança de que pode ser aberto um diálogo técnico entre governo e concessionárias para renegociação ou remodelação dos contratos, com intermediação da Assembléia Legislativa.
''A ABCR aguarda uma demonstração de boa vontade do governo para a negociação, a começar pelo passivo de R$ 180 milhões de desequilíbrio econômico-financeiro acumulado desde o início do mandato, em 2003.'' (colaborou Maria Duarte)

mockup