Curitiba - O diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Rogério Tizzot, anunciou ontem que o governo do Paraná irá implantar uma praça de pedágio entre Maringá e Francisco Alves (97 km a sudoeste de Umuarama). O anúncio foi feito durante a apresentação da cartilha produzida pelo governo com informações sobre o pedágio a cerca de 20 entidades que atuam no transporte de cargas no Paraná.
Segundo Tizzot, o pedágio cobriria os gastos de restauração e manutenção de um trecho de 160 km da PR-323. A intenção do governo é iniciar a cobrança a partir do ano que vem. O projeto prevê a criação de um serviço de atendimento ao usuário semelhante ao praticado pelas seis concessionárias que atuam no Estado através de uma parceria com o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate).
O diretor-geral do DER explicou que o sistema utilizado seria o do pedágio de manutenção, alternativa defendida pelo governo Roberto Requião (PMDB) em oposição ao pedágio de investimentos implantado no Estado durante o governo Jaime Lerner (PSB). O governo pretende cobrar R$ 2 de veículos de passeio e R$ 1,50 por eixo de caminhão. ''A título de comparação, um caminhão de sete eixos pagaria R$ 8,65 para trafegar no trecho. Em um trecho de 160 km controlado pela concessionária Viapar entre Maringá e Cascavel, o mesmo caminhão pagaria R$ 57'', argumentou Tizzot.
Falando para uma platéia de cerca de 60 pessoas, Tizzot defendeu o sistema de pedágio de manutenção e a redução imediata dos preços praticados atualmente pelas concessionárias. Estudos feitos pelo DER apontam para uma redução que varia de 18,66% a 38,05% nas tarifas praticadas pelas empresas atualmente, baseado em incongruências encontradas nos balanços das concessionárias.
O anúncio da criação de uma nova praça de pedágio gerida pelo governo causou surpresa ao presidente regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto. ''Até pouco tempo o governo defendia que tinha recursos suficientes no orçamento para manter toda a malha não-pedagiada como um tapete e agora pretendem cobrar para manter a rodovia. O governo também dizia que o Paraná não suportava o pedágio, e agora pretende criar uma nova praça. A inconstância no discurso do governo causa perplexidade'', criticou.
Chiminazzo também atacou o evento no qual a cartilha foi apresentada aos representantes de transportadoras e agricultores por Tizzot. ''A maior parte da platéia era formada por uma claque montada pelo governo com funcionários do DER'', afirmou. Das 60 entidades convocadas pelo governo, apenas 18 compareceram ao DER, segundo a contagem do cerimonial do evento na abertura da palestra de Tizzot.

mockup