Leandro Donatti

Arquivo FolhaMudança de aresIrondi Pugliesi: deputada deixa a Assembléia para tentar uma vaga na Câmara FederalA Assembléia Legislativa do Paraná volta do recesso amanhã, em clima eleitoral. Os deputados estaduais que retornam às atividades estão voltados a um projeto maior: a reeleição. Apostam numa retomada tranquila, com pauta minguada e cronograma especial de sessões - concentrado em alguns dias da semana - para terem oportunidade de se dedicar ao corpo-a-corpo em suas bases eleitorais.
Dos 54, apenas cinco não trabalham pela reeleição. Querem ocupar cadeiras na Câmara Federal: Irondi Pugliesi (PPB), Renato Adur (PMDB), José Tavares (PTB), Florisvaldo ‘‘Rosinha’’ Fier (PT) e Sâmis da Silva (PMDB). Irondi foi a última a anunciar suas pretensões. A deputada pretende fazer dobradinha com o marido, o ex-prefeito de Arapongas Valdir Pugliesi (PMDB), que deseja voltar à Assembléia.
Para alguns, reeleição virou questão de honra. Joel Coimbra (PTB) recusou convite do governador Jaime Lerner (PFL) para assumir a Secretaria da Justiça em nome do que chamou de projeto para Maringá. O ex-secretário da Agricultura Hermas Brandão volta à toda. Inocentado pela comissão de deputados que acompanhou as investigações em Faxinal, o deputado deve ser aclamado líder da bancada do PTB. Ele aproveita o reinício dos trabalhos para revitalizar redutos eleitorais e recuperar a imagem.
Metade dos parlamentares estréia a campanha 98 com novo partido. Carlos Simões deixou o PSDB para filiar-se ao PTB e figurará como aliado do governador, fato pouco provável em 96, quando se digladiava com o grupo de Lerner na briga pela Prefeitura de Curitiba. Emerson Nerone é outro deputado que terá oportunidade para testar a nova ‘roupagem’. Ligado ao PT durante anos, sai candidato à reeleição pelo desconhecido PSN, ligado ao movimento carismático da Igreja Católica.
Os votos necessários para se eleger - nos cálculos dos aliados, no mínimo 25 mil - fizeram os deputados redobrarem as atenções. Eduardo Trevisan é um dos preocupados. Chegou a declarar arrependimento pela troca do PTB pelo PFL, caso as siglas não coliguem na proporcional. Ademar Traiano (PTB) vive na ‘corda-bamba’. Por ser suplente, corre risco de perder seu palanque a qualquer momento. Solução doméstica está em andamento para socorrê-lo, quando Nelson Justus (PTB), da Indústria e do Comércio, retornar à Assembléia. Traiano terá espaço no gabinete da liderança.
Marquinhos Alves (PTB) e Cleiton Crisóstomo (PFL), os mais jovens deputados da Assembléia, também estão dispostos a se dedicar ao corpo-a-corpo, para se manter no Poder. Alves aproveita até agosto - prazo-limite estipulado pela legislação para a saída dos candidatos com programas de rádio e tevê - para conquistar votos. Ele responde pelo ‘‘Show do Marquinhos’’, programa diário com duas horas de duração, transmitido pela rádio Atalaia para a região de Maringá. Crisóstomo intensifica as visitas às bases. Filho do conselheiro do TC, Cleiton Kielsen, é um dos principais alvos dos parlamentares que acusam o Tribunal de ingerência política em ano eleitoral.

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