Curitiba - Os deputados que integram a CPI da Reforma Agrária na Assembléia Legislativa irão passar a semana que vem em viagem por fazendas, assentamentos e áreas invadidas no interior do Estado. Segundo o vice-presidente da CPI, José Maria Ferreira (PMDB), o objetivo das visitas é conhecer melhor a realidade dos envolvidos na luta pela terra. A comissão deve visitar pelo menos 11 propriedades entre os dias 21 e 25.
Ferreira comemorou o fato dos deputados estarem visitando oito assentamentos nos próximos dias. ''No começo dos trabalhos tivemos dificuldades de relaciomento com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), que achavam que a CPI foi criada como um tribunal de inquisição contra o movimento. Agora acho que está bem claro que a comissão não é favorável nem aos proprietários de terra nem a quem está buscando um espaço para viver'', analisou Ferreira.
A CPI, porém, continua alvo do tiroteio entre os sem-terra e os fazendeiros. Está previsto para hoje o depoimento de Tarcísio Barbosa de Souza, um dos coordenadores da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Souza pretende levar aos deputados dados sobre a destruição causada pelos sem-terra na fazenda Araupel, no Sudoeste do Estado. Segundo o coordenador, os sem-terra devastaram 10,6 mil hectares de mata nativa no local desde 1996.
A Faep vem constantemente criticando a postura do governo estadual, que não estaria cumprindo as decisões judiciais para reintegração de posse de áreas invadidas. Souza pretende também criticar a atuação do secretário estadual de Emprego e das Relações de Trabalho, Padre Roque Zimmermann, que preside uma comissão estadual para mediação de conflitos agrários. O secretário, que esteve ontem na AL, reconheceu que a questão é difícil, mas lembrou que a responsabilidade maior pela questão fundiária ainda é do governo federal, que é o responsável direto pelos assentamentos.

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