Brasília - Horas depois da derrota do governo na prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), ainda comemorava o resultado da madrugada, mas já enfrentava a reação de alguns companheiros de partido. Integrantes do DEM diziam ter certeza de que uma das primeiras medidas de ajuste do Orçamento da União para 2008 serão os cortes nas emendas parlamentares, o caminho pelo qual deputados e senadores conseguem recursos para investimentos em seus redutos eleitorais.
''Alguns deputados vieram reclamar e eu disse: 'não tem problema se não tiver emenda, o importante é ajustar as contas'. Todo mundo reclama de tudo'', afirmou Rodrigo Maia, ontem de manhã. As emendas individuais de deputados e senadores, embora minoria no volume de emendas parlamentares, são preciosas principalmente em ano de eleição municipal, como 2008.
Deputados e senadores apresentaram mais de 9 mil emendas ao Orçamento 2008 que somaram R$ 62,5 bilhões. Em mais de 8 mil emendas individuais, senadores e deputados pediram R$ 4,7 bilhões. As demais foram emendas das bancadas estaduais e das comissões temáticas da Câmara e do Senado. Na apresentação de emendas, os parlamentares sonham alto e em geral chegam ao teto permitido.
Depois, a Comissão de Orçamento faz uma triagem e dispensa a grande maioria. Para 2008, antes da derrota da CPMF, estavam previstos cerca de R$ 18 bilhões em emendas parlamentares, somando individuais e coletivas. Os cálculos serão revistos depois da derrota do governo.
Há duas semanas, vários líderes governistas já tinham avisado ao ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que não votariam o Orçamento sem saber se estavam garantidos os R$ 40 bilhões da CPMF. Na ocasião, os deputados comentaram que temiam ser os grandes prejudicados com a revisão da proposta orçamentária, em caso de derrota. Como o governo ainda acreditava na vitória, o assunto ficou para depois.
Agora, os deputados entendem que cortes serão necessários, mas não aceitam pagar o preço sozinho. O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), calcula que o teto para as emendas individuais cairá drasticamente. Segundo ele, poderá passar dos atuais R$ 8 milhões para R$ 5 milhões. ''O governo vai ter que refazer o Orçamento, é justo. O corte tem que ser inteligente, não pode ser contra os parlamentares. Não temos culpa do que aconteceu.''
O líder do PSDB na Câmara, Antônio Carlos Pannunzio (SP), disse que ''a emenda individual do parlamentar não é o mais importante'' no Orçamento e que a saída talvez seja ''colocar recursos nas rubricas mais importantes''.

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