Os líderes partidários reunidos ontem na Câmara estabeleceram o próximo domingo, dia 15, como prazo para os deputados mudarem de partido em 2004. O prazo para formação de blocos parlamentares será segunda-feira. As datas foram acertadas ontem durante reunião do Colégio de líderes com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). O estabelecimento do prazo não impede que deputados troquem de partido depois, mas, caso isso aconteça, a mudança não vale para a contagem das bancadas. Esta será feita na segunda-feira e é importante, por exemplo, para determinar vagas em comissões e as presidências destas.
Mesmo com este prazo, o deputado que mudar de partido agora não poderá disputar as eleições de 2004. Neste caso, a legislação eleitoral estabelece que só poderá concorrer em outubro quem estiver filiado a partido político há pelo menos um ano. Até esta quarta-feira, 117 deputados já haviam trocado de partido desde o início da atual legislatura. Destes, 15 já trocaram duas vezes de partido, e um - Sandro Matos, do Rio, atualmente no PTB - já trocou três vezes. E acabou no mesmo pelo qual se elegeu.
Há casos curiosos, como o do deputado Enio Tatico, de Goiás. Em 30 de janeiro de 2003 ele trocou o PSC pelo PL. No dia 31, um dia depois, trocou o PL pelo PTB. Outros, como João Magalhães (PMDB-MG), trocam um partido pelo outro e, algum tempo depois, voltam ao partido em que estavam. PFL e PSDB, únicos partidos que estão na oposição desde o início de 2003, foram os que mais perderam deputados: 11 e 12, respectivamente. Quem mais ganhou foram PTB, com dez, PPB e PL, ambos com nove.
Proporcionalmente os partidos que mais encolheram foram o Prona - dos seis deputados eleitos em 2002, apenas dois continuam no partido - e o PMN, que elegeu dois deputados e hoje não tem nenhum. Já o PSC, que elegeu apenas um deputado, hoje tem sete. A fidelidade partidária é um dos itens da reforma política que o governo diz pretender votar ainda neste ano na Câmara.

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