Deputados revelam o preço dos votos
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sexta-feira, 10 de janeiro de 1997
Agência Estado 
Agência EstadoFHC recebe em seu gabinete os deputados do PPS: negociação
BRASíLIA - Com a disposição do governo de abrir as portas do Palácio do
Planalto às vésperas da votação da emenda da reeleição, alguns deputados passaram a revelar o preço de seus votos, embora o governo negue estar barganhando. O deputado Wellinton Fagundes (PL-MT), por exemplo, disse que para aprovar a emenda a bancada de Mato Grosso quer uma diretoria do Banco da Amazônia, uma diretoria da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), a superintendência da Caixa Econômica e a superintendência do Banco do Brasil no Estado.
Nossa vontade é votar a reeleição, mas do jeito que está não dá, disse Fagundes. Ele confirmou que os deputados de MT - exceto Gilney Viana (PT) - querem também a liberação de verbas do Orçamento para a conclusão de obras em suas bases eleitorais. De acordo com Fagundes, a bancada fez ontem pela manhã uma reunião e ficou decidido que o voto pró-reeleição só será dado depois de o governo atender às reivindicações. Já tivemos muito e hoje não temos nada, só uma diretoria na Eletronorte, disse.
O ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, disse não haver como atender aos pedidos dos deputados mato-grossenses. Se eles querem mesmo isto tudo, será que não querem também o lugar do presidente Fernando Henrique Cardoso?, ironizou, informando não ter recebido ontem nenhum telefonema de Mato Grosso. Wellinton Fagundes contou que logo após a reunião ligou para o Palácio do Planalto e marcou uma audiência para a próxima semana.
Ao mesmo tempo que políticos entravam e saíam ontem do Planalto, o porta-voz Sérgio Amaral tentava negar qualquer iniciativa do governo em barganhar votos. Isto aqui não é um balcão de negócios, disse. Desafio alguém a apresentar um fato concreto, tudo não passa de presunção.
Segundo o porta-voz, a presença de tantos deputados no Planalto era uma mera coincidência, resultado de solicitações de audiências previamente marcadas. Amaral procurou justificar, uma a uma, todas as audiências com o presidente, como a do deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), que segundo ele foi apenas recordar com Fernando Henrique da época em que os dois eram constituintes (1987/88). À saída, porém, Bentes (PMDB-PA) confirmou: foi pedir recursos federais para a região sul do Pará.
Fernando Henrique atendeu também os deputados Tarcísio Perondi (PMDB-RS), Elton Rohnelt (PFL-RR) e Eurico Miranda, entre outros. A maior parte dos políticos, porém, tinha como destino os gabinetes dos ministros da Casa Civil, Clóvis Carvalho, e de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, ou do secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Caldas. Dois deputados do PPB de Roraima, Robério Araújo e Luís Barbosa, estiveram com Eduardo Jorge para denunciar a atuação do senador Romero Jucá (PFL-RR), integrante da comissão do Orçamento, que conseguiu destinar R$ 19 milhões para dois municípios do Estado deixando a maioria das cidades sem recursos.
O deputado federal Álvaro Galdério (PFL-PB), vice-líder da bancada, também esteve com o ministro da Casa Civil. Vim pedir a ele que resolva a ação que tramita no Ministério da Administração sobre reintegração de funcionários públicos, parada há mais de um ano, revelou. Ele também agradeceu a liberação de R$ 138 mil para recuperação e ampliação da Maternidade Nossa Senhora do Carmo, em Lastro, na Paraíba.


