Deputados retiram apoio e AL enterra CPI dos Pedágios
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de junho de 2013
José Lazaro Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - A CPI dos Pedágios foi "enterrada", ontem, sem nem ser instalada pelos deputados estaduais. O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Valdir Rossoni, informou aos parlamentares no início da sessão plenária que sete dos 24 deputados estaduais retiraram seus "apoiamentos" (assinaturas) do pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito. Com a debandada, sobraram apenas 17 apoiamentos, quando o mínimo exigido são 18.
Todos os deputados que retiraram suas assinaturas são membros fiéis da base governista. Rossoni, Nelson Garcia, Mauro Moraes e Luiz Accorsi são do PSDB. A bancada tucana deu versões diferentes sobre a retirada desses quatro apoiamentos. Garcia e Accorsi não falaram com a imprensa. Rossoni culpou a presença de políticos "que não gozam de credibilidade" na relação de assinantes. Moraes disse que partiu do líder do PSDB na AL, Francisco Buhrer, a iniciativa de tirar o apoio dos tucanos à CPI dos Pedágios.
"Ninguém me pediu para interceder", reclamou Buhrer, dizendo que foi uma decisão tomada entre os parlamentares que assinaram a CPI. "Se alguém quiser, pode assinar uma próxima", completou o líder da bancada tucana. Nos bastidores, foram comentadas ligações do Palácio Iguaçu aos políticos e conversas conduzidas por Ademar Traiano (PSDB), líder do governo. Em público, Traiano negou a movimentação, mas confirmou que "esse não é o melhor momento para a CPI do Pedágio".
Traiano adiantou que a Agepar (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná) negocia com as concessionárias a retomada de obras paradas e a redução das tarifas. A realização de uma CPI dos Pedágios, disse o líder do governo, poderia atrapalhar essa articulação. Os dois peemedebistas que retiraram suas assinaturas têm laços com a administração Beto Richa (PSDB). Stephanes Júnior é filho do atual chefe da Casa Civil e Cheida é secretário do Meio Ambiente. Do PMDB, só Anibelli Neto garantiu seu apoiamento à CPI.
Marla Tureck, do PSD, disse que retirou sua assinatura por discordar das "palavras ofensivas" usadas por deputados que discutiram em plenário sobre os pedágios. Kielse (PMDB) e Ney Leprevost (PSD) trocaram acusações em outubro de 2012 e, em maio deste ano, o peemedebista discutiu com Rossoni em plenário. Ele disse que ambos eram coniventes com a "máfia do pedágio", mas depois se desculpou e escapou de processos no Conselho de Ética da AL.
Na gaveta desde outubro de 2012, quando foi proposta por Nelson Luersen (PDT), a CPI dos Pedágios estava prestes a começar. Ontem acabou o prazo de quatro CPIs (Grandes Devedores, Planos de Saúde, Telefonia e Pesquisas Eleitorais), permitindo que, até o início do recesso parlamentar, dia 17 de julho, ela pudesse começar. "Eu acho que quando alguém assina uma CPI tem que levar até o fim. A pressão dos poderosos assustou alguns", declarou Luersen.
Quatro deputados estaduais ainda tentaram incluir suas assinaturas, ontem, para evitar que a CPI fosse arquivada. Tercílio Turini (PPS), Gilberto Martin (PMDB), Elton Welter (PT) e Roberto Aciolli (PV) tiveram sua manifestação recusada por Rossoni, que presidia a sessão plenária. O tucano alegou que o arquivamento havia ocorrido às 14h30 e que agora deveria ocorrer nova tomada de assinaturas para instalar a CPI. Luersen e outros deputados já começaram ontem a discutir o assunto.
Levantamento feito pelo Portal Bonde indicou que, nos últimos dez anos, o volume de investimentos das concessionárias cresceu 7,4%, chegando a R$ 300 milhões em 2012. Já o valor arrecadado aumentou 279% no mesmo período, somando R$ 1,53 bilhão no ano passado. Os dados foram divulgados neste ano pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). A ABCR diz que as empresas que administram o "anel de integração" tiveram o maior lucro do País, com superavit de R$ 386 milhões.



