Curitiba - Com 15 votos contrários e nove ausências, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que proíbe a prática do nepotismo nos três poderes do Paraná foi rejeitada ontem em segundo turno na Assembléia Legislativa. A votação terminou com gritos de ‘‘vergonha’’, vindos da platéia que ocupou durante toda a tarde as galerias da Casa. Treze dos 14 deputados do PMDB e os dois deputados do PTB votaram ‘‘não’’ à PEC. Quatro dos 9 deputados do PT, quatro dos 9 deputados do PSDB e um do PP se ausentaram do plenário durante a votação. Com isso, a proposta teve apenas 29 votos favoráveis. Para aprovação eram necessários 33 votos.
  A proposta foi apresentada pelo deputado Tadeu Veneri (PT) e relatada pelo deputado José Maria Ferreira (PMDB), o único peemedebista a votar a favor da PEC. No primeiro turno, dia 29 de março, a PEC havia recebido 40 votos favoráveis. A sessão foi bastante tumultuada. Muitos deputados do PMDB, sob vaias da platéia, discursaram a favor da PEC contra o nepotismo apresentada pelo governador Roberto Requião(PMDB). O governador argumenta que a PEC apresentada por Veneri é muito branda e já chegou a dizer que ela tinha o intuito de demitir apenas o secretário de Estado da Educação, Maurício Requião. Por isso apresentou outra PEC, que coíbe também o nepotismo cruzado.
  Veneri e Ferreira argumentaram que a PEC apresentada por Requião seria inconstitucional. Entretanto, defenderam que se aprovasse a PEC já em tramitação e, se fosse o caso, as medidas mais restritivas da nova proposta seriam anexadas posteriormente, em nova votação. Mas a bancada do governo não aceitou este argumento e afirmou que preferiam votar somente uma proposta mais restritiva. Uma terceira PEC sobre o assunto chegou a ser apresentada ontem pela deputado Nereu Moura (PMDB), que contou com a assinatura de 21 parlamentares. A medida vai seguir o trâmite normal da Casa.
  Muitos deputados saíram da votação ontem afirmando que o PT derrubou o PT. Os deputados Ângelo Vanhoni, Nátalio Stica, Pedro Ivo Ilkiv, que votaram ‘‘sim’’ no primeiro turno, e o deputado Hermas Fonseca (faltou no primeiro turno) se ausentaram do plenário. Os quatro votos, caso favoráveis, aprovariam a PEC. Vanhoni, que é líder da bancada do PT na Assembléia, discursou no encaminhamento da votação defendendo a proposta de Requião.
  Os deputados do PSDB Luiz Acorsi, Miltinho Pupio e Nelson Garcia não estavam no plenário na hora da votação. Luiz Nishimori (PSDB) não compareceu à votação porque afirmou que tinha uma reunião hoje de manhã em São Paulo e por isso não pode comparecer ontem à tarde na Assembléia. Estes quatro deputados haviam votado ‘‘sim’’ no primeiro turno.
  Na votação do primeiro turno da PEC, o presidente do PSDB no Paraná, que faz oposição ao governador, deputado Valdir Rossoni, teria afirmado que os deputados do seu partido que votassem contra perderiam legenda. Quanto à ausência, afirmou ontem que precisa conversar com os parlamentares para ouvir as justificativas e depois decidir o que fazer.
  Duílio Genari (PP) também não esteve na votação do primeiro turno. Nove dos deputados que votaram contra a PEC que coíbe o nepotismo ontem estavam ausentes no primerio turno (do PMDB Nereu Moura, Geraldo Cartário, Alexandre Khury, Antonio Anibelli, Artagão Júnior, Cleiton Kielse, Dobrandino da Silva, Rafael Greca e do PTB Jocelito Canto). Já os deputados do PMDB, Elza Correia e Mauro Moraes, e o deputado do PTB Carlos Simões, votaram ‘‘sim’’ no primeiro turno e ‘‘não’’ ontem. Os deputados do PMDB Edson Strapasson, Vandereli Iensen e Caíto Quintana votaram ‘‘não’’ ontem e não participaram do primeiro turno porque seus suplentes estavam no lugar.

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