Curitiba - A Assembléia Legislativa rejeitou ontem, em votação única e secreta, a mensagem do governo do Estado que determinava intervenção no município de Nova Aurora (61 quilômetros ao norte de Cascavel). Votaram 49 deputados: 30 contra e 19 a favor. A intervenção no município administrado pelo prefeito Delmo Passoni (PP) havia sido recomendada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), na Resolução 1.910 de 2003.
Os conselheiros do TCE entenderam que houve má aplicação de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério, o Fundef. Passoni defendeu-se junto ao TCE, alegando ter aplicado os recursos corretamente. A tramitação da intervenção havia sido suspensa pelo Tribunal de Justiça (TJ), a pedido de Passoni. Mas, ao julgar o recurso do governo no final do mês passado, o TJ liberou novamente a tramitação do decreto na Assembléia.
O deputado Geraldo Cartário (PSL) disse que votaria contra o processo de intervenção. Ele subiu à tribuna para pedir que a intervenção não fosse votada ontem. Para ele, o TCE é uma casa técnica, e a Assembléia não deveria se submeter ao órgão. ''Muitos de nós sabemos o que é ser prefeito. Um político não pode ser perseguido'', discursou. O primeiro-secretário da Casa, Nereu Moura, do PMDB, manifestou opinião diferente. Disse que é contra intervenções por princípio, mas que no caso de Nova Aurora o plenário deveria aprovar.
A assessoria do Palácio Iguaçu diz que o governo fez sua parte ao encaminhar o pedido de intervenção e o ônus político fica com a Assembléia que não apovou.

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