Deputados reclamam de atraso de verba da União
Agência Estado
De Brasília
A estratégia do governo de liberar cerca de R$ 500 milhões para o atendimento das emendas individuais dos parlamentares até o final do ano não deverá amenizar a irritação dos deputados governistas com o Palácio do Planalto. A falta de dinheiro para custear obras nas bases eleitorais aumentou ainda mais o descontentamento dos políticos aliados, o que deverá dificultar a aprovação de medidas do interesse do Executivo durante a convocação extraordinária de janeiro.
A aceleração na liberação das emendas vem sendo negociada pelo líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), com o ministro do Orçamento e Gestão, Martus Tavares. Os líderes dos partidos da bancada governista acreditam que o governo vem segurando o dinheiro como forma de dificultar a sua aprovação. Que o Executivo não pense que esse dinheiro no final do ano chegará aos deputados como um presente de Papai Noel, avisou o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). Isso não é favor nenhum e sim uma obrigação, acrescentou, sem esconder a insatisfação com o atraso na liberação das emendas.
O líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), concordou. A liberação de emendas já deveria ter sido feita ao longo do ano, comentou, frisando que muitos parlamentares se afirmam em suas bases com essas pequenas obras. É por meio da construção de quadras esportivas, obras de saneamento e de postos de saúde que o deputado consegue mostrar prestígio em sua base eleitoral, lembrou o deputado pernambucano.
O líder do governo no Congresso reconhece que houve atraso na liberação das emendas, mas acredita que a insatisfação da base pode ser resolvida. É preciso compreender as razões do governo, defendeu Arthur Virgílio. Afinal, esse ano corríamos o risco de atravessar uma tragédia financeira, justificou. Ele lembrou que os R$ 500 milhões serão usados para atender emendas de até R$ 1,5 milhão de parlamentares que se reelegeram no ano passado. A orientação é privilegiar os políticos da base governista.





