Valdir Rossoni (PSDB), um dos homens de confiança de Beto Richa: "É bom que se investigue porque aí eu posso esclarecer os fatos"
Valdir Rossoni (PSDB), um dos homens de confiança de Beto Richa: "É bom que se investigue porque aí eu posso esclarecer os fatos" | Foto: Nani Góis/Alep



Curitiba – Deputados estaduais da base e da oposição ao governador Beto Richa (PSDB) foram cautelosos ontem ao comentar as mais recentes notícias envolvendo o secretário-chefe da Casa Civil do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB). Conforme informações veiculadas pela RPC TV, afiliada da Rede Globo, o tucano é alvo de uma investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, relativa a supostos crimes de peculato (desvio de dinheiro público) e fraude a licitação.

A suspeita é de que ocorreram irregularidades em dois pregões da Assembleia Legislativa (AL) realizados na época em que o deputado federal licenciado presidia a Casa. Também segundo a RPC, os contratos somam mais de R$ 7 milhões. Em um deles, de 2012, a AL gastou quase R$ 600 mil para manutenção da fachada de vidro de um dos anexos do prédio. No outro, de 2013, destinou R$ 6,5 milhões para reformar e fazer a manutenção do edifício. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Rossoni nega participação nos crimes.

De acordo com o atual presidente do Legislativo, Ademar Traiano (PSDB), não se trata de uma investigação, e sim de uma convocação para prestar informações. "No passado, o próprio Ministério Público aqui esteve, averiguou e constatou que não havia irregularidade. Isso está escrito em documento entregue à Casa à época. Eu não posso fazer qualquer condenação ao deputado Rossoni. Hoje é comum no meio político. Um cidadão faz uma denúncia, ficam escrachando o homem público e depois, no final, não se constata nada. E aí quando você tem o direito de mostrar à opinião pública aquilo que não é verdade, o que muitas vezes a imprensa dá é um segundo para ele se defender", criticou.

O vice-líder do governo, Hussein Bakri (PSD), foi na mesma linha. "Como todos daqui, eu acompanhei pela mídia; fui informado hoje [ontem] dessa ação. Não fazia parte da Assembleia à época e portanto não conheço nada para poder emitir uma opinião. Mas certamente o chefe da Casa Civil vai ter a oportunidade de se defender. Ele mesmo falou, eu assisti a uma entrevista dele, que é importante a investigação porque ele vai ter a oportunidade de rebater e responder a essas acusações. Ele enfatizou que ao receber uma denúncia é papel do Poder Judiciário abrir a investigação".

Assim como o político do PSD, o petista Professor Lemos contou que teve conhecimento do caso pela imprensa. "O próprio secretário disse que quer que se investigue o mais rápido possível e que ele vai provar que não cometeu nenhuma ilicitude. É importante que toda denúncia que chegue às autoridades seja apurada e, se comprovado ato ilegal e lesivo ao patrimônio público, que sejam punidos os autores". Lemos completou que os parlamentares não têm controle sobre as ações desenvolvidas pela Mesa Diretora. "Nesse caso, não chegou a nós nenhuma informação. Mas toda denúncia contra os políticos respinga sim no Parlamento".

A investigação
O MP passou a averiguar a situação quando recebeu formalmente a denúncia de que a manutenção na fachada da Assembleia, orçada em mais de R$ 500 mil, poderia ter sido feita com muito menos dinheiro. Como um dos citados era Rossoni e ele já tinha foro privilegiado, o caso foi encaminhado à PGR. De acordo com o órgão, uma das auditorias não foi conclusiva quanto à existência de superfaturamento, mas outra, no contrato de mais de R$ 6 milhões, teria apontado várias irregularidades, incluindo a ausência de justificativa de necessidade de contratação e de pesquisa de preço. Além de Rossoni, a Polícia Federal (PF) deve interrogar os sócios das empresas.

A reportagem da FOLHA tentou contato com o secretário-chefe Valdir Rossoni durante toda a tarde desta quarta-feira (21), mas a assessoria da Casa Civil informou que ele estava em viagem. À RPC TV, Rossoni afirmou que "é uma obrigação do ministro investigar quando recebe uma denúncia" e que "é bom que se investigue porque aí eu posso esclarecer os fatos."

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