Curitiba - Dois dos deputados federais que respondem a processos no STF são da região de Londrina. Alex Canziani (PTB) e José Janene (PP) respondem a um mesmo inquérito pela compra considerada ilegal de marmitas durante a campanha de 1998. As marmitas teriam sido compradas com dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina. Canziani e Janene fizeram ''dobradinha'' nas eleições com o filho do então prefeito Antonio Belinati (hoje PSL), Antonio Carlos Salles Belinati, que concorria a uma cadeira na Assembléia Legislativa.
Canziani classificou a denúncia feita pelo MP no caso como ''um absurdo''. Segundo ele, os procuradores que atuaram no caso basearam-se apenas em um único depoimento, sem provas concretas. ''O único ponto em que o MP se baseou foi o depoimento de uma pessoa que disse ter visto um carro com adesivos da minha campanha pegando marmitas em Londrina. Até mesmo essa testemunha afirmou posteriormente que o depoimento dela não foi exatamente o que foi transcrito pelo MP. O fato é que as marmitas foram doadas para a minha campanha pelo proprietário da empresa Praticomida, e estão registradas na minha prestação de contas'', afirmou Canziani. A Folha também entrou em contato com Janene, mas o deputado falou que não queria se pronunciar sobre o assunto.
Os outros dois deputados denunciados pelo MP ao STF são Dilceu Sperafico (PP) e Chico da Princesa (PL). Sperafico responde a acusação de ter desviado trigo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 1995 para a empresa agrícola cascavelense Sperafico, que segundo o MP seria de sua propriedade.
O deputado afirma que a denúncia é infundada. ''Em primeiro lugar, eu não sou proprietário ou sócio da empresa Sperafico, que pertence a parentes meus. E depois, foi comprovado que a própria Conab retirou o trigo, e não ficou faltando nada'', argumentou Sperafico.
Já Chico da Princesa responde a uma denúncia por crime eleitoral na campanha de 2000. Segundo a denúncia, o deputado teria participado de uma compra de votos para ajudar a eleição do atual prefeito de Santo Antônio da Platina, Flávio Luiz Maiorky. A denúncia contra Maiorky foi rejeitada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por falta de provas, mas por ter foro privilegiado o deputado ainda responde ao inquérito no STF. A Folha tentou contato com ele, mas não obteve retorno. (R.S.)

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