Deputados reagem a declarações de Severino
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terça-feira, 30 de agosto de 2005
Folhapress 
Brasília - A decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), de barrar a remissão do relatório com o nome dos 18 parlamentares que sacaram recursos das contas de Marcos Valério Fernandes de Souza ao Conselho de Ética recebeu críticas ontem no Congresso Nacional.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) ameaçou iniciar um movimento para derrubá-lo. ''Vossa Excelência está se comportando de maneira indigna com o cargo de presidente da Câmara, Vossa Excelência está em contradição com o Brasil, vossa Excelência na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil'', afirmou. ''Vossa Excelência, ou se cala, ou vamos iniciar um movimento para derrubá-lo'', acrescentou, sendo interrompido por Severino. ''Recolha-se à sua insignificância'', respondeu o presidente da Casa cortando o som do microfone usado por Gabeira.
Severino tentou consertar a entrevista concedida à ''Folha de S. Paulo'' e afirmou que não haverá ''operação abafa ou pizza'' durante a sua gestão. ''Esta presidência repele veementemente tais assertivas'', afirmou. ''Não há que se falar em operação abafa ou em terminar em pizza, não enquanto eu for presidente'', disse.
Severino respondeu a declarações do presidente do PPS, Roberto Freire (PE), que classificou o presidente da Câmara de irresponsável. ''As CPIs não podem ficar na mão de um irresponsável como o Severino Cavalcanti'', disse Freire.
Severino respondeu: ''Não sou leviano, irresponsável ou, muito menos, desequilibrado. Alguma história eu tenho(...) Também enganam-se aqueles que pensam que deixarei levar inocentes ao cadafalso, apenas para, ao desvario, ouvir soar as trombetas'', disse.
O corregedor da Casa, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), também negou a possibilidade de que a Corregedoria venha a reter pedidos de cassação. Ele disse que, tão logo receba os pedidos de abertura de processo contra deputados, tem condições de encaminhá-los à Mesa Diretora ou à Comissão de Sindicância em 24 ou 48 horas.
Nogueira explicou que a Corregedoria tem duas alternativas diante dos pedidos. Se houver provas suficientes contra o parlamentar, o caso será enviado à Mesa Diretora para encaminhamento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Se não houver as provas necessárias, o processo segue para a Comissão de Sindicância da própria corregedoria.
O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) também criticou as declarações de Severino, publicadas ontem, em entrevista à ''Folha de S.Paulo''. ''Vossa Excelência não teve muita sorte. Disse o que o presidente da Câmara não poderia dizer'', afirmou na tribuna.


