Leandro Donatti
De Londrina
A mesa executiva da Assembléia Legislativa se reúne hoje à noite em Curitiba, na residência do presidente da Casa, Nelson Justus (PTB), para firmar posição sobre o escândalo AMA-Comurb de Londrina. Deputados da base de sustentação do governador Jaime Lerner (PFL) foram acusados de envolvimento. Segundo informações prestadas pelo ex-diretor da Comurb Eduardo Alonso e veiculadas na imprensa nacional, parlamentares teriam sido comprados em troca da desmobilização de uma CPI que, em maio do ano passado, tentou investigar uma operação financeira realizada entre a Copel e o Sercomtel.
O ex-diretor teria revelado ainda que em troca do fim da CPI – que durou menos de 48 horas – os deputados teriam rateado algo em torno de R$ 3,5 milhões. O dinheiro teria sido depositado na conta de empresas fantasmas de Curitiba e de Londrina.
Os deputados aliados disseram que foram ofendidos com as acusações e ontem mesmo iniciaram uma ofensiva para preservar a imagem, arranhada com as denúncias de desvio na administração municipal de Londrina. Setores ligados à base de sustentação defenderam uma interpelação de Eduardo Alonso, para que o mesmo confirme ou retire as acusações feitas.
Tony Garcia (PPB) comanda o discurso de que o ex-diretor precisa ser responsabilizado e tem o respaldo da maioria dos outros deputados governistas que assinaram e logo depois retiraram o pedido de CPI. Justus não tinha uma posição formada sobre o assunto, razão pela qual concordou em reunir a mesa executiva. Os deputados devem divulgar nota oficial, depois do encontro, manifestando posição sobre o caso.
Ângelo Vanhoni (PT), Edgar Bueno (PDT), Nereu Moura (PMDB) e José Maria Ferreira (PSDB) bateram duro no discurso contra Belinati ontem à tarde, na Assembléia. Eles fizeram um histórico das denúncias, que começaram a pipocar há um ano, na presença do filho de Belinati, o deputado Antonio Carlos Belinati (PSB), que optou pelo silêncio.
Vanhoni disse que a Assembléia não pode se calar às suspeitas sugerindo a compra de deputados e defendeu a reinstalação da CPI, para averiguar a operação. Sua proposta não deve receber apoio da maioria governista.
A CPI foi desmobilizada, na época, a pedido do governo que não queria ver o nome da Copel, que está em vias de privatização, envolvido num escândalo. Lerner chegou a dar declarações na época de que a CPI não convinha. Hoje, entretanto, o governo nega que tenha obstruído as investigações.
O líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PTB), defendeu o governo em plenário. Rossoni, entretanto, lavou as mãos no caso Belinati. Restringiu-se a manifestar solidariedade ao governo do Estado e a bater na tecla de que a operação entre a Copel e Sercomtel não foi irregular.
A CPI Copel-Sercomtel não foi a primeira comissão parlamentar manipulada pelo governo. No final do ano passado, estava tudo pronto para os deputados do Paraná instalarem uma CPI para investigar a compra irregular de jaquetas coreanas pelo ex-comandante geral da Polícia Militar Luiz Fernando de Lara. Temendo reflexos negativos, o Palácio Iguaçu conseguiu na última hora dissuadir os deputados governistas.

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