Deputados questionam Tide e laboratório da UEL
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segunda-feira, 26 de abril de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lygia Pupatto, foi sabatinada, ontem, por cerca de uma hora, pelos deputados da CPI da Assembléia Legislativa que investiga irregularidades nas instituições de ensino superior. Os questionamentos dos parlamentares concentraram-se, basicamente, no pagamento da gratificação por Tempo Integral de Dedicação Exclusiva (Tide), no prejuízo ao Laboratório de Produção de Medicamentos (LPM), por causa da perda de prazo para registro de medicamentos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e nos possíveis ''supersalários'' de servidores da universidade.
Sobre o pagamento do Tide, Lygia confirmou o que já havia passado à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, de que em um levantamento da situação dos professores resultou no cancelamento 49 gratificações e que, atendendo o estatuto da universidade, obrigou alguns deles, inclusive, a devolver o dinheiro. Lygia acrescentou que os currículos dos professores e seus respectivos projetos de ensino, pesquisa ou extensão, assim como os contratos de trabalho podem ser acessados na internet. Dessa forma é possível cruzar as informações e avaliar seu rendimento acadêmico.
Em relação ao LPM, Lygia também garantiu que as providências foram tomadas com o afastamento da diretora do cargo por ''quebra de responsabilidade''.
Um outro questionamento do relator da CPI, deputado Neivo Beraldin (PDT), foi sobre um e-mail enviado pelo funcionário Manoel Carvalho Paiva, que Lygia respondeu desconhecer o teor. A denúncia, revelada depois pelo presidente da CPI, deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), dizia respeito a uma suposta irregularidade em uma sindicância para apurar se o servidor José César Camargo (também depoente da CPI) teria intermediado a contratação de parentes, enquanto membro da comissão do vestibular para trabalhar no concurso.
A reitora esclareceu que a abertura de sindicância em que o servidor foi absolvido se deu em maio de 2002, portanto, na gestão anterior, e que só em dezembro o sindicato dos servidores da UEL teriam pedido a reabertura do processo, o que foi acatado por ela.
Em seu depoimento, o presidente do sindicato dos servidores da UEL, Itamar André Rodrigues Nascimento, reforçou que além do apadrinhamento, Camargo estaria envolvido no superfaturamento de compra de marmitas e no apontamento de horas-extras que não foram cumpridas. Segundo ele, a sindicância constatou as irregularidades, mas até agora não foi aberto processo disciplinar para puni-lo.
Camargo admitiu que indicou o nome de sua ''companheira'' para trabalhar no vestibular, mas disse que a efetivação do contrato ficava a cargo da Comissão Permanente de Seleção. Ele alegou que os signatários da denúncia são da atual diretoria do sindicato, chapa rival à sua nas últimas eleições.


