Deputados questionam atuação do TC
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terça-feira, 13 de março de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
Informações sobre proximidade de membros do Tribunal de Contas com envolvidos em desvios de Maringá repercutem na Assembléia
Os deputados da base governista decidiram ontem atacar o Tribunal de Contas do Estado (TC) na Assembléia Legislativa. Revoltado com as denúncias de ligação de membros do TC com a Prefeitura de Maringá, o deputado Fernando Ribas Carli (PPB) subiu à tribuna para questionar a imparcialidade do órgão. Ele voltou a afirmar que o tribunal tem que se declarar impedido de averiguar as contas de Maringá. Como é que vai dar parecer nas contas de Maringá depois dessas denúncias de ligações com a prefeitura?, perguntou.
Em seu pronunciamento, Ribas Carli se referiu ao depoimento do ex-prefeito de Maringá. Jairo Gianoto disse à Justiça Federal que o ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi foi indicado para o cargo pelo conselheiro do TC, Artagão de Mattos Leão, e pelo coordenador da Fundação Escola de Administração Pública do órgão, Duílio Bento. Mattos Leão nega ter indicado o nome de Paolicchi e já anunciou que vai processar Gianoto pelas declarações.
Sobre a atitude de Ribas Carli, o conselheiro Quiélse Crisóstomo da Silva, ex-presidente do TC, disse apenas que os dois (Carli e Artagão) são adversários políticos de outrora na região de Guarapuava. O conselheiro saiu em defesa do TC porque o presidente Rafael Iatauro está em Brasília, participando de um evento sobre Lei de Responsabilidade Fiscal.
Os deputados Neivo Beraldin (PSDB) e Ricardo Chab (PTB) engrossaram o coro das críticas e questionaram a utilidade do órgão. Chab disse que vai pedir a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o TC. Temos que descobrir quais são os critérios que eles usam para aprovar as contas dos municípios. Não é admissível que um dia aprovem e no outro apareça uma auditoria mostrando irregularidades. Chab quer apurar qual o sistema adotado na aprovação das contas, como é elaborado o parecer técnico e se há envolvimento político nas decisões. Afinal, o critério deles é técnico ou é político?
O Tribunal de Contas informou, por meio da assessoria de imprensa, que não vai se manifestar sobre pronunciamentos de deputados e pretende
aguardar a decisão da Assembléia Legislativa em relação à CPI. A legislação permite que apenas cinco CPIs funcionem simultaneamente e sete já aguardam na fila para instalação.
(Colaborou Dimitri do Valle)


