Informações sobre proximidade de membros do Tribunal de Contas com envolvidos em desvios de Maringá repercutem na Assembléia
Os deputados da base governista decidiram ontem atacar o Tribunal de Contas do Estado (TC) na Assembléia Legislativa. Revoltado com as denúncias de ligação de membros do TC com a Prefeitura de Maringá, o deputado Fernando Ribas Carli (PPB) subiu à tribuna para questionar a imparcialidade do órgão. Ele voltou a afirmar que o tribunal tem que se ‘‘declarar impedido de averiguar as contas de Maringᒒ. ‘‘Como é que vai dar parecer nas contas de Maringá depois dessas denúncias de ligações com a prefeitura?’’, perguntou.
Em seu pronunciamento, Ribas Carli se referiu ao depoimento do ex-prefeito de Maringá. Jairo Gianoto disse à Justiça Federal que o ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi foi indicado para o cargo pelo conselheiro do TC, Artagão de Mattos Leão, e pelo coordenador da Fundação Escola de Administração Pública do órgão, Duílio Bento. Mattos Leão nega ter indicado o nome de Paolicchi e já anunciou que vai processar Gianoto pelas declarações.
Sobre a atitude de Ribas Carli, o conselheiro Quiélse Crisóstomo da Silva, ex-presidente do TC, disse apenas que ‘‘os dois (Carli e Artagão) são adversários políticos de outrora na região de Guarapuava’’. O conselheiro saiu em defesa do TC porque o presidente Rafael Iatauro está em Brasília, participando de um evento sobre Lei de Responsabilidade Fiscal.
Os deputados Neivo Beraldin (PSDB) e Ricardo Chab (PTB) engrossaram o coro das críticas e questionaram a utilidade do órgão. Chab disse que vai pedir a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o TC. ‘‘Temos que descobrir quais são os critérios que eles usam para aprovar as contas dos municípios. Não é admissível que um dia aprovem e no outro apareça uma auditoria mostrando irregularidades.’’ Chab quer apurar qual o sistema adotado na aprovação das contas, como é elaborado o parecer técnico e se há envolvimento político nas decisões. ‘‘Afinal, o critério deles é técnico ou é político?’’
O Tribunal de Contas informou, por meio da assessoria de imprensa, que não vai se manifestar sobre pronunciamentos de deputados e pretende
aguardar a decisão da Assembléia Legislativa em relação à CPI. A legislação permite que apenas cinco CPIs funcionem simultaneamente e sete já aguardam na fila para instalação.
(Colaborou Dimitri do Valle)

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